Ministra da Saúde alerta contra medicamentos vendidos na Internet 
10.07.2009 - 20:52 Por Lusa, Natália Faria
A ministra da Saúde, Ana Jorge, alertou hoje para o risco da auto-medicação para a gripe A com fármacos comprados na Internet. Centenas de sites estão a disponibilizar o medicamento baseado na substância activa Oseltamivir, indicada para o tratamento da gripe A.
"Isso é muito preocupante. Primeiro porque o preço do medicamento é mais caro do que nas farmácias e, por outro lado, porque é necessário ter cuidado com muitos medicamentos vendidos na Internet, porque podem ser de contrafacção e não há garantias de que sejam de qualidade e correspondam ao princípio activo", disse a ministra, citada pela agência Lusa, em declarações à margem da inauguração de um centro de saúde em Almodôvar.
Ana Jorge sublinhou que "o uso indiscriminado destes medicamentos, sem prescrição médica, vai contribuir para aumentar a resistência ao Tamiflu", um fármaco "que pode ser fundamental em fase de epidemia".
Nenhum dos sites na Internet que disponibilizam o fármaco baseado no Oseltamivir tem origem em Portugal. “Se tivermos informação de que algum destes sites se encontra em território nacional, actuamos imediatamente e enviamos o caso para a Polícia Judiciária e para o Ministério Público”, garantiu Carlos Pires, presidente da Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed).
Em Portugal, só é permitido comprar o fármaco com Oseltamivir nas farmácias e mediante receita médica. Contudo, a oferta ilegal do medicamento com aquela substância activa disparou na Internet, segundo a Direcção-Geral de Saúde (DGS). Nalguns daqueles sites, os preços por cada embalagem de 10 comprimidos (vendida na farmácia a 20 euros) chegam aos 300 euros.
O director-geral de saúde, Francisco George, lembrou ontem que o medicamento só deve ser tomado seguindo “as indicações rigorosas” de um médico. “O seu uso indevido tem como consequência aumentar a probabilidade de surgirem resistências dos vírus ao medicamento”, alertou. Consequência: quem consumir Oseltamivir sem ter a doença pode criar resistências ao vírus e comprometer a eficácia do tratamento quando e se for efectivamente contagiado.
Mas há outros riscos associados. “Uma investigação que fizemos há uns meses a 87 fármacos que foram apreendidos na alfândega para serem analisados, mostrou que mais de 90 por cento eram contrafeitos. Alguns não tinham a quantidade de substância activa que deviam ter, outros não tinham substância activa e outros tinham mas diferente da anunciada”, afirma o presidente do Infarmed, lembrando que os únicos sites autorizados a vender medicamentos em Portugal são os das farmácias.

