A ministra da Saúde escusou-se hoje a comentar um estudo que revela que seis em cada dez famílias tiveram dificuldade em seguir tratamentos médicos no último ano por motivos económicos, mas admitiu "algumas desigualdades de acesso" à saúde.
"Não conheço o estudo da DECO, não vou comentar", disse a ministra aos jornalistas.
Ana Jorge, que falava em Bruxelas à margem de uma cimeira sobre o cancro do colo do útero, reconheceu que subsistem "algumas desigualdades de acesso" à saúde.
"É isso que nos tem levado a introduzir alterações no sistema", adiantou.
Um inquérito da organização de defesa do consumidor DECO, publicado na revista Teste Saúde de Fevereiro, mostra que a crise económica afectou os cuidados de saúde de seis em cada dez portugueses.
O inquérito, realizado junto de 1639 famílias portuguesas, revela que quase metade dos inquiridos foi obrigada a adiar uma terapia.
Um quinto interrompeu e outros tantos nem sequer pensaram em iniciar um tratamento por impossibilidade de o pagar. Nesta última situação estão 650 mil famílias, segundo estima a DECO.
Os lares com baixos rendimentos, os que incluem apenas um adulto e crianças menores e os que integram doentes crónicos manifestam mais problemas em suportar os custos, revela ainda o inquérito, segundo o qual um quinto dos inquiridos já se endividou para pagar despesas de saúde e 15 por cento fizeram-no no último ano.
O estudo mostra ainda que sete em cada 10 famílias gastam uma média de 1700 euros por ano em Saúde, o que representa, em média, cerca de um quinto do seu rendimento anual líquido.


