A ministra da Saúde anunciou hoje a criação de novas Unidades de Saúde Familiar (USF) já a partir do próximo ano. Ana Jorge afirma que pretende com esta medida melhorar o acesso aos utentes que não estão inscritos em USF.
O anúncio surge a propósito do segundo aniversário da entrada em funcionamento das primeiras quatro Unidades de Saúde Familiar - a USF Nascente (Centro de Saúde de Rio Tinto, em Gondomar), a USF de Valongo e a USF de São João do Sobrado (Centro de Saúde de Valongo) e a USF de Condeixa (Centro de Saúde de Condeixa) - que abriram as portas a 4 de Setembro de 2006.
Ana Jorge reconhece a "elevada complexidade" da reforma em curso nos cuidados de saúde primários, a qual foi "desenvolvida apesar de vários constrangimentos, nomeadamente de recursos humanos". Para a ministra, "os objectivos atingidos até agora são seguramente satisfatórios".
Desde Setembro de 2006, e segundo as contas da tutela, foram criadas 141 USF, que "permitiram atribuir médico de família a cerca de 190 mil utentes que estavam a descoberto, num universo de quase dois milhões de portugueses abrangidos". O objectivo é chegar ao final deste ano com mais do que as 150 USF inicialmente estimadas. Para 2009, a meta é atingir as 250 USF.
Para o próximo ano, a tutela promete ainda uma solução para os centros de saúde que não aderiram a este modelo organizativo, cuja existência motivou já algumas críticas, nomeadamente que a reforma criou "filhos e enteados".
Médicos e enfermeiros criticam, em uníssono, a existência de condições diferentes nos centros de saúde que aderiram ou não ao modelo USF, com melhorias para os primeiros.
O Governo tem conhecimento destas críticas, afirmando que "a reforma dos cuidados de saúde primários, de forma a garantir a mesma qualidade e equidade de acesso a todos os utentes, não se esgota nas USF". "Até agora, a proposta do Governo tem sido a de permitir aos profissionais de saúde que se organizem com autonomia e estes têm sido capazes de responder a este desafio", alega Ana Jorge, anunciando que, a partir do próximo ano, a tutela avançará com uma resposta para "melhorar o acesso aos utentes que não estão incluídos em USF".
Essa resposta passa pela criação de Unidades de Cuidados de Saúde Personalizados nos centros de saúde que não aderiram ao modelo USF. Na prática, estes centros de saúde irão trabalhar com um modelo semelhante ao das USF, embora não por iniciativa dos profissionais - médicos, enfermeiros e administrativos -, mas por decisão da direcção.
Mais utentes com médico de família é um dos principais objectivos destas novas unidades de cuidados e que, segundo médicos e enfermeiros, foi alcançado pelo modelo USF.
(Em link sentença do caso, disponível no site da Associação Sindical dos Juízes Portugueses.)


