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Posição da directora da Reserva Natural

Ministério do Ambiente quer turismo nos mouchões do rio Tejo

16.02.2008 - 12:20 Por Lusa

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Os mouchões ou têm uma intervenção ou desaparecem, lembrou Maria João Burnay Os mouchões ou têm uma intervenção ou desaparecem, lembrou Maria João Burnay (Carlos Lopes (arquivo))
Os mouchões (ilhas) do rio Tejo podem e devem acolher actividades turísticas, defende a directora da Reserva Natural do Estuário do Tejo, ressalvando que os projectos estão sujeitos a exigências rigorosas e devem ser compatíveis com a Natureza. Os ambientalistas receiam a pressão humana excessiva.

Apesar de estar concluído desde meados do ano passado, ainda não tem o aval da tutela o regulamento do Plano de Ordenamento da reserva natural, que abrange os mouchões da Póvoa, do Lombo do Tejo, das Garças e de Alhandra, bem como o sapal de Pancas.

Os ambientalistas estão preocupados porque, dizem, o plano admite um índice de construção demasiado elevado e lembram que os projectos de “resorts” apresentados no passado foram rejeitados por apresentarem uma ocupação excessiva.

“Somos favoráveis ao turismo de natureza mas discordamos de projectos que possam aumentar substancialmente a pressão humana sobre os habitat”, comentou o presidente do movimento Xiradania, José Capucha.

O dirigente aconselha um estudo prévio da capacidade de carga humana naquelas áreas naturais.

A direcção da Reserva Natural defende-se, dizendo que os mouchões devem “ter vida”.

“Os receios relativos aos ‘resorts’ são infundados. Numa reserva natural temos de compatibilizar as actividades humanas como a pesca, agricultura e o ecoturismo”, afirmou Maria João Burnay, directora da reserva natural e responsável do departamento de gestão das zonas húmidas do Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB).

“Temos de deixar de ser defensivos e ser mais pró-activos. Não tenho medo do turismo nos mouchões, tenho expectativa e interesse”, declarou.

A responsável vincou que os condicionamentos para o desenvolvimento turístico "são muitos e estão interligados", já que a intervenção é feita através de um programa global que obriga à apresentação de um plano de exploração agrícola anual, infra-estruturas de abastecimento de água e tratamento de esgotos, áreas para actividades de animação ambiental, estudo de incidências ambientais e proposta de minimização de impactes.

"Os mouchões ou têm uma intervenção ou desaparecem. É preciso dar-lhes vida", reforçou.

Falta agora avaliar quais as actividades mais interessantes e que podem ser desenvolvidas naqueles locais, ficando desde já uma garantia: "Não vamos encher tudo de alojamento. As tipologias de turismo de natureza incluem estruturas de observação das aves, áreas de restauração, áreas técnicas de apoio e para a exploração agrícola, passeios, etc.", afirmou.

O ICNB tem conhecimento de várias situações ilegais que têm sido cometidas nas ilhotas, mas a intervenção não tem sido fácil. No entanto, Maria João Burnay deixou um aviso aos promotores turísticos: "só será aprovado qualquer projecto se estiver tudo dentro da legalidade".

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t

Ha os que corrempem e os que se deixam corromper. E ha os que querem ser corrompidos.

Sousa da Ponte

18.02.2008 10:19

X

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