Os mouchões (ilhas) do rio Tejo podem e devem acolher actividades turísticas, defende a directora da Reserva Natural do Estuário do Tejo, ressalvando que os projectos estão sujeitos a exigências rigorosas e devem ser compatíveis com a Natureza. Os ambientalistas receiam a pressão humana excessiva.
Apesar de estar concluído desde meados do ano passado, ainda não tem o aval da tutela o regulamento do Plano de Ordenamento da reserva natural, que abrange os mouchões da Póvoa, do Lombo do Tejo, das Garças e de Alhandra, bem como o sapal de Pancas.
Os ambientalistas estão preocupados porque, dizem, o plano admite um índice de construção demasiado elevado e lembram que os projectos de “resorts” apresentados no passado foram rejeitados por apresentarem uma ocupação excessiva.
“Somos favoráveis ao turismo de natureza mas discordamos de projectos que possam aumentar substancialmente a pressão humana sobre os habitat”, comentou o presidente do movimento Xiradania, José Capucha.
O dirigente aconselha um estudo prévio da capacidade de carga humana naquelas áreas naturais.
A direcção da Reserva Natural defende-se, dizendo que os mouchões devem “ter vida”.
“Os receios relativos aos ‘resorts’ são infundados. Numa reserva natural temos de compatibilizar as actividades humanas como a pesca, agricultura e o ecoturismo”, afirmou Maria João Burnay, directora da reserva natural e responsável do departamento de gestão das zonas húmidas do Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB).
“Temos de deixar de ser defensivos e ser mais pró-activos. Não tenho medo do turismo nos mouchões, tenho expectativa e interesse”, declarou.
A responsável vincou que os condicionamentos para o desenvolvimento turístico "são muitos e estão interligados", já que a intervenção é feita através de um programa global que obriga à apresentação de um plano de exploração agrícola anual, infra-estruturas de abastecimento de água e tratamento de esgotos, áreas para actividades de animação ambiental, estudo de incidências ambientais e proposta de minimização de impactes.
"Os mouchões ou têm uma intervenção ou desaparecem. É preciso dar-lhes vida", reforçou.
Falta agora avaliar quais as actividades mais interessantes e que podem ser desenvolvidas naqueles locais, ficando desde já uma garantia: "Não vamos encher tudo de alojamento. As tipologias de turismo de natureza incluem estruturas de observação das aves, áreas de restauração, áreas técnicas de apoio e para a exploração agrícola, passeios, etc.", afirmou.
O ICNB tem conhecimento de várias situações ilegais que têm sido cometidas nas ilhotas, mas a intervenção não tem sido fácil. No entanto, Maria João Burnay deixou um aviso aos promotores turísticos: "só será aprovado qualquer projecto se estiver tudo dentro da legalidade".


