Ministério da Saúde está a vigiar efeitos da crise económica na saúde pública

19.03.2009 - 13:41 Por Lusa
O ministério da Saúde está a vigiar o impacto da crise económica sobre a saúde pública e vai intensificar o combate às formas multiresistentes de tuberculose, afirmou hoje o director-geral de Saúde.
"Estamos muito atentos à evolução da crise financeira e estamos preparados para encarar a protecção da saúde dos portugueses, se houver impacto negativo na saúde pública", declarou Francisco George, à margem de um encontro internacional comemorativo do Dia Mundial da Tuberculose, que decorre hoje em Lisboa.
Esta doença está frequentemente associada à pobreza, temendo-se que possa agravar-se devido à crise económica mundial.
"Um grupo de trabalho está a medir essa evolução e as medidas serão tomadas no caso de se identificar um problema neste domínio", garantiu o director-geral de Saúde, acrescentando que a criação deste dispositivo de vigilância decorre de recomendações da Organização Mundial de Saúde.
Francisco George adiantou que a luta contra a tuberculose vai ser "intensificada" e que estão a ser corrigidos erros identificados no programa de luta contra esta doença.
"Estamos a corrigir algumas situações e a encarar as questões ligadas à multiresistência de uma forma diferente, criando centros de referência que vão acompanhar estes casos num modelo organizativo distinto", esclareceu.
Dos 2.600 casos novos registados anualmente no país, 30 eram multiresistentes e alguns eram extensivamenrte multiresistentes, ou seja, "são situações em que os antibióticos não fazem efeit", adiantou.
O director-geral de Saúde salientou ainda que a associação entre a tuberculose e a SIDA "não pode ser ignorada" e que o objectivo é melhorar a articulação entre os dois programas nacionais de luta contra estas doenças.
"Conhecemos bem este problema, sabemos que 14 por cento dos casos de tuberculose são registados em doentes infectados com VIH/SIDA e que quem está infectado com este vírus tem 200 vezes mais probabilidade de vir a ter tuberculose", frisou.
Sem querer "entrar em polémica com a Igreja Católica", quando questionado sobre as declarações do Papa, que criticou o uso de preservativos para prevenir a SIDA, Francisco George reafirmou, ainda assim, que a utilização de preservativos "é essencial para tornar o sexo mais seguro".
Quanto à possibilidade de internamento compulsivo de doentes tuberculosos, está completamente afastada porque "é inconstitucional".
"De acordo com a Constituição Portuguesa, não podemos limitar a liberdade de nenhum português a não ser em determinadas situações, onde as doenças transmissíveis não estão incluídas. Não podemos impor nenhum tratamento obrigatório, só podemos sensibilizar o doente e a família".
O director-geral de Saúde valorizou a evolução positiva dos indicadores relativos à tuberculose em Portugal, apesar da taxa de incidência ser ainda oito pontos superior à média europeia.
"Temos ainda um problema de tuberculose, mas há ganhos que devem ser valorizados nos últimos 13 anos, a incidência de tuberculose no país desceu para metade".
A taxa de incidência actual é de 25 casos por cada cem mil habitantes, mas o objectivo da DGS é baixar este valor para 18 casos por cada cem mil habitantes em 2011.

