O Ministério da Saúde anunciou hoje que não vai avançar com o inquérito aos socorros prestados à vítima de um acidente de viação na zona de Odemira, na semana passada, que acabou por morrer. Segundo a tutela, os cuidados de saúde e de emergência médica realizados "foram correctos e cumpriram as normais e orientações de serviço".
"Concluiu-se que as intervenções do INEM [Instituto Nacional de Emergência Médica], através do CODU [Centro de Orientação de Doentes Urgentes], a acção do Centro de Saúde de Odemira e o acolhimento no Hospital de Santa Maria foram correctos e cumpriram as normais e orientações de serviço", considera, em comunicado, o Ministério da Saúde.
O ministério de Correia de Campos determinou perante esta conclusão, divulgada no final de uma reunião destinada a analisar as formas de melhoria do desempenho da rede de urgência/emergência do Alentejo, "que não há lugar a procedimento de inquérito".
Com a tutela estiveram reunidos o presidente do INEM, a Administração Regional de Saúde do Alentejo, representantes do Hospital de Santa Maria e do Centro Hospitalar de Beja, o presidente da Câmara de Odemira e o governador civil do distrito de Beja.
O PÚBLICO noticiou que, no passado dia 8, um homem de 54 anos sofreu ferimentos graves devido a um acidente rodoviário, mas só deu entrada no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, quase sete horas após terem sido accionados os primeiros meios de socorro.
A vítima foi transportada para o Centro de Saúde de Odemira e assistida, depois, pela viatura médica de emergência e reanimação de Beja, chamada para o local, sendo finalmente transferido de helicóptero para Lisboa, onde acabou por morrer passados três dias.
Segundo o Ministério da Saúde, "nos vários momentos de intervenção foram proporcionadas as medidas de estabilização apropriadas, sem as quais o sinistrado nem sequer teria condições para suportar a viagem". Ainda de acordo com a tutela, "após a admissão no Hospital de Santa Maria, efectuados exames que revelaram múltiplos focos de contusão cerebral, a vítima foi sujeita a craniotomia descompressiva de que resultou normalização da pressão intracraniana". A vítima morreu depois de no pós-operatório o seu quadro clínico não ter melhorado.
Falta de meios neurocirúrgicos condicionaram assistência imediata à vítima
O ministério assume que "a gravidade do acidente e a distância a que ele ocorreu de um centro hospitalar com capacidade de intervenção neurocirúrgica, condicionaram, sem dúvida, o tempo que mediou entre a ocorrência e a entrada no hospital de destino". Porém, frisa que não existe "evidência de que esse lapso de tempo, bem como as manobras entretanto executadas pudessem ter influenciado o desfecho fatal, o qual se deveu essencialmente à gravidade das lesões iniciais".
Na sequência do acidente, o Ministério da Saúde passou em revista "as circunstâncias de baixa densidade populacional e longa distância que condicionam a capacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde em situações de urgência/emergência naquela região".
Alentejo vai ter mais duas viaturas de emergência
Sublinhando que os esforços "devem concentrar-se na melhoria da situação", o gabinete de Correia de Campos anunciou a entrada em funcionamento da segunda viatura médica de emergência e reanimação (VMER) no Alentejo, sedeada no Hospital de Évora, até ao final de Fevereiro.
Até ao final de Junho, será disponibilizada uma terceira viatura, no Hospital de Portalegre, e está preparado um "plano da via verde coronário", que assentará nas VMER e em outras unidades móveis de suporte intermédio de vida.
"Estão a ser acelerados os esforços para facultar formação especializada adicional às tripulações de ambulâncias do INEM e de corporações de bombeiros articuladas com esse intuito", acrescentou a tutela.
O concelho de Odemira, como o de Castro Verde, Serpa e Moura, vão ter, cada um, uma Unidade de Urgência Básica com meios reforçados, depois da aprovação da rede de urgências, recorda o ministério, assegurando que "todas estas medidas estão a ser aplicadas com carácter prioritário".


