A Associação dos Profissionais da Guarda (APG) da GNR acusou ontem o Comando Territorial de Santarém de ter enviado e mantido em serviço de patrulhamento, na zona de Coruche, um grupo indeterminado de militares que, em alguns casos, chegaram a estar 11 horas consecutivas sem lhes ter sido fornecido qualquer alimento.
Diz a APG que a situação verificada na quarta-feira “não é inédita” e que se revestiu de maior gravidade porquanto alguns dos militares requisitados para participarem numa operação stop pertencem a outros postos que não Coruche e, em consequência, foram obrigados a sair dos seus locais habituais de trabalho duas horas antes do início da operação (começou às 17h), tendo regressado a casa pelas 2h do dia seguinte (a operação stop terminou às 24h). “Durante este período não foi fornecido qualquer tipo de refeição”, diz a direcção da APG, lembrando ainda que em alguns casos houve militares que estiveram 11 horas ininterruptas sem alimentação.
A APG diz que o Comando Territorial de Santarém é o único responsável pela situação, afirmando ainda que a mesma já se repetira há cerca de um mês. “É inaceitável que a hierarquia da GNR veja estes operacionais como números, como seres inanimados sem direito à satisfação de necessidades básicas, comuns a qualquer ser humano”, dizem os autores do documento, acrescentando que compete ao Comando Geral da GNR “tomar posição e exigir responsabilidades”.
Em contacto com o departamento de relações públicas da GNR, o PÚBLICO foi informado, por intermédio do tenente-coronel Costa Lima, que a situação era desconhecida. “Não temos [comando da GNR] conhecimento dessa eventual situação. Se a mesma ocorreu, com certeza que iremos tentar saber porquê”, disse aquele responsável. Costa Lima afirmou ainda que o comando não comenta comunicados de qualquer associação da GNR e que as mesmas são livres de relatarem o que entendem, do mesmo modo que possuem mecanismos para darem conhecimento ao comando, de imediato, qualquer ocorrência que entendam ser relevante.


