Microcrédito assinala dez anos em Portugal com histórias de 30 casos de sucesso 
14.12.2008 - 12:23 Por Paulo Miguel Madeira
Associação Nacional de Direito ao Crédito comemora hoje os 10 anos do microcrédito em Portugal com a inauguração da exposição e lançamento do livro-catálogo intitulado “Retratos, 10 Anos do Microcrédito em Portugal”, no Museu da Electricidade em Lisboa.
A exposição e o livro, coordenados pelo jornalista Adelino Gomes (actual provedor do ouvinte da RDP), reúne 30 retratos de casos de pessoas que recorreram ao microcrédito e resolveram assim as suas situações de vida e, em muitos casos, escaparam da pobreza.
O trabalho contou com a colaboração de 12 fotógrafos e 16 jornalistas e é apresentado hoje ao público pela primeira vez, às 16h.
O microcrédito é um pequeno empréstimo destinado a pessoas que não têm acesso ao sistema bancário, mas querem desenvolver uma actividade por conta própria e a entidade concedente considera que reúnem condições e capacidades pessoais que permitirão dar sucesso à sua iniciativa económica.
A ideia é que a pessoa, com um pequeno investimento, que no máximo terá um financiamento de dez mil euros, os interessados possam criar um pequeno negócio através do qual assegurem o seu próprio emprego.
Um Nobel da Paz e sete milhões de beneficiários
O sistema do microcrédito, além do financiamento, concede aos candidatos apoio na preparação do “dossier” de investimento e, após o financiamento, na resolução dos problemas com que se possam deparar para o desenvolvimento do negócio, segundo indica a Associação Nacional de Direito ao Crédito no seu site.
As actividades que foram financiadas estão em áreas diversificadas, que vão desde o vestuário, snack-bares ou cabeleireiros a audiovisuais, informática ou publicidade.
O microcrédito surgiu no Bangladesh, onde no início dos anos 70 Mouhammad Yunus, professor de Economia e entretanto laureado com o Prémio Nobel da Paz, emprestou 27 dólares a 42 famílias e provou que não era preciso muito dinheiro para fazer as pessoas ter uma vida autónoma e que os pobres também são capazes de assumir a totalidade dos seus compromissos, independentemente de não terem capacidade para prestar garantias.
Mouhammad Yunus fundou o Grameen Bank, conhecido por “banco dos pobres”, com o qual conseguiu dar resposta às necessidades de crédito de mais de sete milhões de microempreendedores.
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