Merkel e Bento XVI fazem declaração conjunta sobre bispo negacionista

08.02.2009 - 15:01 Por Agências
O Papa Bento XVI e a chanceler alemã Angela Merkel tiveram hoje uma conversa “construtiva” ao telefone sobre o caso do bispo negacionista Richard Williamson, no mesmo dia em que uma sondagem do jornal “Bild am Sonntang” revela que dois terços dos católicos alemães estão descontentes com a decisão do Papa de levantar a excomunhão ao prelado britânico.
Bento XVI e Angela Merkel concordaram em afirmar, numa declaração conjunta, citada pela agência AFP, que “a Shoah significa um aviso para a humanidade”. A mesma declaração classifica a conversa entre os dois como “construtiva”. A chefe do Governo alemão tomou a iniciativa de telefonar a Bento XVI, diz ainda a declaração conjunta.
Na terça-feira, Merkel considerara “insuficiente” a clarificação do Vaticano sobre a reintegração na igreja católica de Richard Williamson, que fora excomungado por ter sido ordenado bispo pelo arcebispo Marcel Lefebvre sem a autorização do Vaticano, em 1988.
Em declarações a uma televisão sueca a 22 de Janeiro, Williamson pôs em causa a existência do Holocausto e das câmaras de gás, declarando que os nazis terão morto 200 a 300 mil judeus nos campos de concentração.
Na quinta-feira, o Papa exigiu ao bispo que se retractasse publicamente, um gesto que Angela Merkel considerou positivo. Mas Williamson, que vive no Seminário da Nossa Senhora Redentora, perto da capital argentina, Buenos Aires, recusou-se a responder a Bento XVI. Numa entrevista por correio electrónico, a publicar amanhã na revista alemã “Der Spiegel”, o prelado limita-se a dizer que precisará de reexaminar as provas para mudar de opinião.
“Preciso de reexaminar tudo outra vez. Se encontrar provas, então rectificarei. Mais isso levará muito tempo”, disse Richard Williamson à revista.
Católicos descontentes
Entretanto, uma sondagem publicada hoje pelo jornal “Bild am Sonntag” refere que dois terços dos católicos alemães consideram que a decisão do Papa Bento XVI, de origem germânica, de levantar a excomunhão a Williamson prejudica a igreja católica, diz a agência AFP.
A sondagem foi feita junto de 1002 pessoas, antes de serem conhecidas as declarações do bispo que a "Der Spiegel" publicará na segunda-feira.
56 por cento dos católicos alemães pensam que Bento XVI deveria excomungar de novo Richard Williamson e 33 por cento acham que ele não o deve fazer.
92 por cento dos inquiridos consideram que Bento XVI não se deve demitir e cinco por cento acreditam que ele deve retirar-se.

