Membro da comissão de investigação ao acidente aéreo de Madrid demite-se

18.09.2008 - 18:15 Por PÚBLICO
O representante dos pilotos que integrava a comissão de investigação ao acidente aéreo de Madrid, que no passado dia 20 de Agosto fez 154 mortos no aeroporto de Barajas, demitiu-se do grupo de trabalho. A demissão de Valentín Villarroel surge depois de esta semana terem sido divulgados excertos do relatório preliminar da comissão.
“Esta é a triste despedida de um piloto comercial veterano que manifesta a sua tristeza e frustração por não ter conseguido impedir esta situação sem sentido, de falta de rigor e independência”, afirma Valentín Villarroel numa carta aberta enviada ao presidente da Comissão de Investigação de Acidentes e Incidentes de Aviação Civil, citada pela edição online do “El Mundo”.
Segundo fontes próximas da comissão de investigação, não identificadas pelo jornal espanhol, aquele que é o único piloto no grupo de trabalho pediu a demissão em protesto contra a forma como foi “distribuída e tratada” a informação dentro da comissão. Valentín Villarroel criticou ainda as falhas de segurança que permitiram que dados sobre o caso chegassem à comunicação social.
A demissão do piloto surge depois desta semana ter sido avançado dados de um relatório preliminar da Comissão de Investigação de Acidentes e Incidentes de Aviação Civil sobre o acidente no aeroporto de Barajas. Segundo o documento, citado pela imprensa espanhola, a não observância por parte dos pilotos de uma regra de segurança exigida pela Boeing pode ter originado a queda do MD-82 da Spanair em Madrid.
A equipa de pilotagem poderá não ter feito uma verificação de rotina ao sistema que alerta em caso de falha na abertura dos flaps (que ajudam à estabilização do aparelho) na descolagem.
O relatório preliminar apontou ainda mais uma série de falhas humanas e técnicas que podem estar na origem do acidente que vitimou 154 pessoas.
Segundo a informação recolhida de uma das caixas negras do avião, o aparelho chegou de Barcelona, atestou de combustível e fez-se à pista às 13h25. Um minuto e meio depois, os pilotos comunicaram à torre de controlo que tinham detectado um problema e que deviam abandonar a pista. Foi então detectado um sobreaquecimento, revisto o circuito eléctrico, e a temperatura da máquina estabilizou. Voltou à pista 36L com os flaps desactivados. Está por definir se o que se passou a seguir se deveu a erro humano ou falha técnica. O facto é que o voo seguiu com os flaps desactivados.
Foi detectado também que, apesar de se ter despenhado logo após a descolagem, o avião chegou a activar o modo de voo. Não se sabe quando, durante o curto percurso. E o sinal sonoro de posicionamento dos flaps só funciona em módulo terra.

