Vítimas optam muitas vezes por ocultar violência

Medo de eventual preconceito impede queixas na justiça

12.07.2009 - 01:13

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As vítimas de violência nas relações homossexuais não materializam a vontade de fazer queixa por medo do eventual preconceito dos polícias e magistrados, nota Celina Manita, docente da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto, que está a orientar uma tese de mestrado sobre as representações que diferentes profissionais têm do fenómeno da violência em casais homossexuais.

“Há a ideia, entre as vítimas homossexuais, de que os polícias rejeitam os casos e que os representantes da justiça não olham para eles da mesma forma”, diz. Contudo, magistrados já entrevistados recusam esta opinião.

“Asseguram que são neutros. O que interessa é que o caso encaixe na tipificação de violência doméstica ou no namoro”, indica a docente, sem contudo acreditar nesta neutralidade.

“Não temos provas com este estudo, mas investigações mais amplas mostram que as variáveis de género influenciam as decisões dos magistrados. Logo, há grande possibilidade de a orientação sexual influenciar também.”

José Rui (nome fictício) é agente da PSP e é “gay”. Diz que “a maioria dos polícias” são preconceituosos mas que não o evidenciam para os homossexuais, uma atitude que “não existia há dez anos”.

“Há uns anos, quando um ‘gay’ apresentava queixa na esquadra por ter sido vítima de violência, o polícia desvalorizava a situação e até tecia sermões condenatórios à pessoa por ser homossexual”, conta.

Apesar da evolução, os preconceitos das autoridades “ainda intimidam” as vítimas, sublinha José Rui.


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