Médicos defendem comparticipação total para doentes de asma e doença pulmonar obstrutiva

28.06.2008 - 21:19 Por Lusa
As sociedades portuguesas de Pneumologia e de Alergologia defenderam hoje, em Óbidos, que os doentes de asma e doença pulmonar obstrutiva graves deverão ter medicamentos gratuitos, para fazer face aos elevados custos dos fármacos.
"A sociedade Portuguesa de Pneumologia defende a existência de um cartão que identifique o doente com doença pulmonar obstrutiva e asma graves, para que tenha um nível de comparticipação dos medicamentos em situação de igualdade aos doentes com patologias graves", como a diabetes, disse à agência Lusa o presidente da sociedade António Seborbe Luís, durante o Fórum das Doenças Respiratórias, que junta centena e meia de especialistas nacionais e internacionais.
O médico considera que os medicamentos adequados à terapêutica das duas doenças crónicas "são caros" e a comparticipação do Estado, na ordem dos 40 por cento, "estão muito à quem" do que seria esperado.
"Há muita gente que não consegue ter disponibilidade financeira para assegurar um tratamento adequado, tal como é prescrito pelo médico", alertou.
Para a Organização Mundial de Saúde (OMS), este "é um problema" sobretudo nos países menos desenvolvidos, onde a população não tem acesso aos medicamentos para estas terapêuticas, disse o representante da OMS para esta área, Jean Bousquet.
Em todo o mundo regista-se "um aumento de frequência da asma entre 12 e 15 por cento em todos os países do mundo, o que é considerável", constatou Jean Bosquet.
Neste sentido, OMS definiu no final de Maio que as doenças respiratórias são uma das suas quatro prioridades, a par das doenças cardiovasculares, do cancro e da diabetes, estando a desenvolver campanhas para reduzir a mortalidade e as taxas de hospitalização a elas associadas.
Neste encontro, os 160 participantes, entre médicos de clínica geral, pneumologistas e alergologistas, são alertados necessidade de adequarem as terapêuticas a cada caso, motivar o doente a cumprir as prescrições e dotá-lo de informação para o seu auto-controlo.
Em todo o mundo, 100 a 150 milhões de pessoas sofrem de asma. Apesar de estar dentro da média europeia, o número estimado de asmáticos em Portugal é de um milhão de pessoas, 11 por cento das quais são adultos e 5 por cento são crianças.
Segundo os especialistas, 74 por cento dos doentes asmáticos a serem medicados não estão controlados e só em 1991 morreram entre 200 a 300 pessoas.

