Medicamentos: inquérito do PUBLICO.PT suspenso devido a fraude na votação

15.03.2005 - 18:08 Por PUBLICO.PT
O inquérito colocado ontem na página principal do PUBLICO.PT sobre a possibilidade da venda de medicamentos nos supermercados foi suspenso devido à constatação de uma fraude na votação.
O sistema de validação concebido para impedir a repetição do voto pela mesma pessoa foi contornado e foram detectadas máquinas que votavam sistematicamente na opção NÃO à pergunta “Os medicamentos de venda livre devem estar disponíveis nos supermercados?” Na altura em que o inquérito foi retirado, havia 4064 votos no SIM (51 por cento) e 3814 no NÃO (48 por cento).
Esta tarde chegou à redacção do PUBLICO.PT um email a apelar ao voto no NÃO. “Peço-vos para que em consciência acedam ao site www.publico.pt e votem no final da primeira página não à venda dos medicamentos OTC em grandes superfícies comerciais”, escreveu o autor, Marco da Rocha, farmacêutico hospitalar. Contactado pelo PUBLICO.PT, Marco da Rocha disse que enviou o apelo em causa aos endereços que constam da sua lista de contactos porque achou “bizarro ter-se reconhecido como prioridade” a questão da venda de medicamentos.
“Pelos vistos só o primeiro-ministro identifica como principal e prioritário problema o actual funcionamento de uma estrutura que muito me orgulha, e que sem dúvida é a estrutura que melhor funciona dentro do actual Sistema Nacional de Saúde, as farmácias”, lê-se no email recebido pelo PUBLICO.PT.
O primeiro-ministro, José Sócrates, anunciou no sábado passado, durante a tomada de posse do seu Governo, a intenção de alargar a venda de medicamentos que não necessitam de receita médica aos super e hipermercados. No mesmo dia, a Associação Nacional de Farmácias emitiu um comunicado a contestar a intenção do Governo socialista, considerando que “só pode ser entendido como uma tentativa de cilada aos farmacêuticos portugueses para os utilizar como uma cortina de fumo”.
Já hoje, os proprietários de postos de combustível anunciaram a sua vontade de entrar no negócio da venda de medicamentos, considerando que apenas nas estações de serviço será possível adquirir medicamentos 24 horas por dia e sem acréscimo de custo entre as 07h00 e as 23h00. "Esperamos que a nova legislação não esteja a ser preparada apenas para as grandes superfícies, porque os postos de combustível são o melhor ponto de venda para os medicamentos", disse o presidente da Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis, António Saleiro.

