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Liberalização do mercado foi há um ano

Medicamentos fora das farmácias ainda com pouco impacte

15.09.2006 - 10:26 Por Joana Ferreira da Costa

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Há um ano que alguns estabelecimentos comercializam remédios sem receita, mas as vendas são pouco expressivas Há um ano que alguns estabelecimentos comercializam remédios sem receita, mas as vendas são pouco expressivas (Paulo Carriço/Lusa (arquivo))
Um ano depois do fim do monopólio das farmácias na venda de medicamentos sem receita, cerca de centena e meia de lojas estão a comercializar estes produtos. Em Julho, os 133 estabelecimentos a reportar vendas, a maioria parafarmácias e lojas de produtos naturais, venderam 47 mil embalagens de medicamentos sem receita, no valor de 207,8 mil euros. O que dá em média 360 embalagens por loja.

Nos primeiros dez meses, os novos pontos venderam 209 mil embalagens de medicamentos, no valor de 941 mil euros. Quase metade do novo mercado está nas mãos do grupo Modelo/Continente, responsável por 44,2 por cento das vendas registadas entre Outubro de 2005 e Julho passado, revelam os últimos dados oficiais. Os oito hipermercados do grupo com remédios disponíveis venderam 416 mil euros de medicamentos sem receita, de Outubro de 2005 até Julho passado. As 15 entidades com maior número de vendas (representando 31 lojas) possuem 74 por cento do mercado. Nas restantes, as vendas serão residuais.

A maioria dos portugueses sai dos novos pontos de venda com medicamentos para as dores ou para a febre (ver caixa). Mas o impacte da medida no bolso do consumidor continua a ser difícil de avaliar, até porque não há dados oficiais sobre o valor médio de cada medicamento nas farmácias, que concentram a quase totalidade do mercado.

Nas novas lojas, os remédios custavam em Julho menos um por cento do que antes da liberalização (ver tabela ao lado). Um impacte muito inferior ao registado logo após a entrada em vigor da lei, em que os preços caíram 12,8 por cento nos nove locais que então tinham portas abertas. Depois da quebra inicial, e apesar do aumento do número de lojas, os preços têm vindo a aproximar-se daqueles que se registavam antes da liberalização.

Bloqueio das farmacêuticas continua

O Instituto Nacional da Farmácia e do Medicamento não possui informação sobre a situação das farmácias. Os dados da consultora farmacêutica IMS revelam que, entre Julho passado e o mesmo mês do ano anterior, comercializaram-se 52 milhões de produtos, mais 0,3 por cento do que nos 12 meses anteriores. Ou seja, em média 4,3 milhões de embalagens por mês. Mas as vendas em valor cresceram nove por cento, nesse mesmo período, atingindo 301,6 milhões de euros de medicamentos. "A situação deve-se a uma conjugação de factores, provavelmente a uma ligeira subida nos preços e a uma alteração do perfil de consumo de medicamentos", explicou o antigo responsável da IMS, João Câmara.

Apesar da pouca expressividade dos números globais, a primeira loja em Portugal a vender medicamentos sem receita, a Botica Fialho Vicente, em Mem Martins, é um caso de sucesso. A parafarmácia abriu as portas em Outubro do ano passado, e "o balanço é muito positivo, supera as expectativas iniciais", garante Maria José Fialho Vicente, a farmacêutica directora técnica do estabelecimento. O local da parafarmácia e a credibilidade da equipa escolhida para estar à frente do balcão são fundamentais para este sucesso, diz.

A farmacêutica não tem, no entanto, dúvidas quanto à situação do resto do mercado. "Muitas das parafarmácias que abriram as portas não vão conseguir vingar. Este negócio exige muito investimento e o conhecimento do meio", diz.

A recusa das cooperativas farmacêuticas em vender remédios a parafarmácias e as pressões destes estabelecimentos junto dos seus fornecedores continua a fazer-se sentir. "Há ainda muitas parafarmácias com dificuldades em obterem produtos. A situação não se alterou", diz a farmacêutica, salientando que ela própria não teve dificuldades.

O proprietário de uma parafarmácia na região de Braga, que pediu anonimato, contou como a falta de fornecedores lhe dificultou a abertura da loja. "Os primeiros armazenistas que contactámos levantavam problemas. Alguns foram mais francos e disseram que se nos abastecessem perderiam como clientes as farmácias da zona. Finalmente encontrámos um armazenista que nos abastece". O responsável diz que muitos dos seus clientes lamentam que os novos pontos de venda não possuam também medicamentos com receita. "Tenho esperança que o alargamento da lista prometido pelo Governo nos permita alargar o negócio", remata.

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Anónimo

15.09.2006 11:45

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