O presidente da Associação Nacional das Farmácias (ANF) considerou hoje "inaceitável" uma nova redução na margem resultante da venda de medicamentos, prevista no Orçamento de Estado para 2007, e prometeu "ultrapassar esta situação" durante a discussão parlamentar do documento.
João Cordeiro falava durante a sessão de abertura do 8º Congresso Nacional das Farmácias, que decorre em Lisboa sob o lema "Farmácia - Visão e Competência".
O presidente da ANF teceu duras críticas à intenção do Governo de baixar novamente as margens de lucro dos farmacêuticos, que antes de 2005 era de 20 por cento e que foi depois reduzida para 19,15 por cento.
"É uma solução inesperada e que agrava, em prejuízo das farmácias, as injustiças do regime de formação de preços em vigor", disse João Cordeiro, para quem "esta proposta orçamental é completamente inaceitável".
A ANF não põe em causa a redução dos preços dos medicamentos em seis por cento (também prevista no Orçamento de Estado para 2007), apesar de classificar a medida como "injusta, relativamente aos sectores onde foram cumpridos os objectivos do Governo".
Esta medida "é entendida como inevitável pelo Governo, em virtude dos graves constrangimentos da natureza orçamentais" e, por isso, não merece tantas críticas da ANF, que considera que "o cumprimento das metas orçamentais não exige alteração da margem da farmácia".
"A alteração proposta, a concretizar-se, significaria que, de novo, o sector de farmácias suportaria um sacrifício mais do que proporcional à sua participação no preço dos medicamentos", disse João Cordeiro.
Cordeiro prometeu "ultrapassar esta situação", nomeadamente "no período de discussão do Orçamento Geral do Estado na Assembleia da República". "Procuraremos ultrapassar esta situação, em diálogo com o Governo e os grupos parlamentares", disse.
O responsável, recentemente reeleito para a direcção da ANF, aproveitou a sua intervenção para deixar recados aos opositores à sua liderança, que terão colocado em causa alguns dos investimentos da associação.
"Os que duvidam da utilidade dos investimentos que fizemos são aqueles que acham que as coisas, nestes 30 anos, foram fáceis, que tudo se conseguiu sem esforço, que não mediram ou não conheceram adequadamente os riscos e que, por isso mesmo, acham que se investiram demasiados recursos financeiros numa política dessa natureza", disse.


