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Bebé nasceu com o crânio esmagado por fórceps

Médica do Amadora-Sintra acusada alega que não detectou sinais de sofrimento do feto

30.04.2008 - 17:16 Por Lusa

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A criança nasceu a 02 de Março de 2002 depois de 13 horas de trabalho de parto A criança nasceu a 02 de Março de 2002 depois de 13 horas de trabalho de parto (Nelson Garrido (arquivo))
A médica acusada de má prática clínica durante um parto no Hospital Amadora-Sintra garantiu hoje, em julgamento, que nunca detectou sinais de sofrimento fetal, que poderiam ter conduzido a uma cesariana e a um outro desfecho do caso. O processo remonta a 02 de Março de 2002 quando um bebé nasceu com o crânio esmagado depois de recurso ao fórceps neste hospital, após 13 horas de trabalho de parto.

Pela segunda vez, o caso está a ser julgado nos Juízos Criminais de Lisboa, onde hoje foi ouvido um dos dois médicos acusados pelo Ministério Público (MP), sendo que um deles responde por um crime de homicídio negligente e o outro por má prática clínica.

Ana Cristina Costa, obstetra, é acusada de má prática médica e era chefe de equipa no Hospital Amadora-Sintra à data dos factos, dos quais resultaram a morte do bebé. Hoje, a médica garantiu que "em nenhuma altura" detectou sofrimento do feto, tendo, por isso, orientado a equipa para um parto normal (via vaginal).

Contudo, confrontada com questões relacionadas com um exame "CTG" às contracções da mãe e batimentos cardíacos do bebé, o qual registava paragens que podiam indicar desacelerações cardíacas (sofrimento fetal), a arguida afirmou que se deviam "a fugas" e, por isso, pediu uma "monitorização interna".

Não havia razões para cesariana

Durante a sua observação, que terminou por volta das 14h00, a médica garantiu que "nunca interpretou nada como uma incompatibilidade encefalo-pélvica". Por esta razão, o trabalho desenvolveu-se no sentido vaginal, tendo Ana Cristina Costa considerado que não existiam razões para a realização de uma cesariana.

A sessão de hoje ficou marcada por algumas contradições entre o depoimento da médica, que disse "não ter dado indicações" para a parturiente fazer esforços expulsivos, e o diário de enfermagem, onde alegadamente está escrito que a arguida deu essa ordem.

O outro arguido no processo é o obstetra Francisco Madeira, na altura um dos seis elementos da equipa chefiada por Ana Cristina Costa e que é acusado de um crime de homicídio negligente. Foi este médico que, segundo a Inspecção-Geral de Saúde, fez uma má aplicação do fórceps durante o parto, conduzindo ao esmagamento do crânio do bebé.

Este caso começou a ser julgado a 19 de Abril de 2007 pela juíza Conceição Oliveira. Porém, após várias sessões e audição dos dois médicos, a magistrada pediu escusa do processo, alegando motivos pessoais, o que levou à repetição do julgamento.

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