A médica anestesista e o ex-director do Hospital de Lagos acusados de homicídio por negligência de dois doentes em Março de 2004 foram hoje absolvidos pelo Tribunal de Lagos.
À leitura do acórdão não compareceu a médica anestesista, que justificou a ausência por motivos de doença. O ex-director do Hospital de Lagos foi o único que compareceu ao julgamento.
Segundo o acórdão do Tribunal de Lagos, não ficou provado que os dois médicos tenham actuado com negligência após ter sido administrado um produto anestésico, nem ficaram comprovadas as causas que levaram à morte dos doentes.
A advogada da família de uma das vítimas, Tânia Luz, disse aos jornalistas no final da leitura do acórdão que iria recorrer da sentença.
A médica anestesista era acusada de dois crimes de homicídio por negligência, enquanto o ex-director hospitalar respondia por um crime de homicídio por negligência, por ter deixado a médica operar sozinha e de não ter fechado o bloco operatório após a primeira morte.
A morte dos dois pacientes ocorreu devido a alegados incidentes surgidos após a administração do produto anestésico Propofol, quando se encontravam no bloco operatório daquele hospital, para serem submetidos a pequenas intervenções cirúrgicas.
A primeira morte, de Albertina Estêvão, de 44 anos, verificou-se a 29 de Março de 2004, no bloco operatório do Hospital de Lagos e, um dia depois, Rui Gonçalves, de 35 anos, sofreu uma paragem cárdio-respiratória, tendo falecido dias depois no Hospital do Barlavento, em Portimão, para onde havia sido transferido.
Em Outubro de 2007, o processo chegou a ser arquivado pelo Ministério Público, mas os familiares das vítimas pediram a abertura da instrução, tendo o Tribunal de Portimão decidido pronunciar os dois médicos e levar o caso a julgamento.


