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Através do Parlamento

Marques Mendes propõe descriminalização sem aborto livre

04.02.2007 - 20:58 Por Lusa

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Marques Mendes Marques Mendes (Carla Carvalho Tomás/PÚBLICO (arquivo))
O presidente do PSD, Marques Mendes, propôs hoje em Barcelos a descriminalização do aborto no Parlamento, como alternativa a uma lei que torna o aborto livre e a pedido da mulher.

"Há um certo consenso na sociedade portuguesa: as pessoas não querem o aborto livre, mas também não querem que as mulheres possam ir para a cadeia se forem forçadas a fazê-lo", afirmou o líder social-democrata, frisando que a descriminalização também é aceite por muitos membros da plataforma do "não".

Marques Mendes falava aos jornalistas no final da visita que fez, a título pessoal, a uma exposição promovida em Barcelos pelo movimento "Minho pela Vida".

Na opinião de Marques Mendes, a solução para o dilema "passa pelos eleitores votarem 'não' no próximo domingo, sabendo que há um compromisso no sentido de mudar a lei", afirmou o presidente do PSD.

Mendes apela "para que ninguém se abstenha"

Marques Mendes disse também que tem encontrado, a uma semana do referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez, "muitas pessoas com dúvidas, que não querem a legalização total do aborto porque defendem a vida", apelando, por isso, "para que ninguém se abstenha".

Questionado sobre a possibilidade de a vitória do "não" significar a manutenção do aborto clandestino e da prisão de mulheres que o praticam, Marques Mendes considerou que "o problema não se resolve com o aborto clandestino".

Marques Mendes frisou que, neste momento, em Portugal, não há nenhuma mulher presa por ter feito aborto clandestinamente, considerando que "existe um grande consenso sobre a descriminalização".

"O aborto é um mal"

"O aborto é um mal, mas este não se resolve legalizando o mal", afirmou igualmente Marques Mendes, dizendo ser necessário que o Estado e a sociedade civil "ajudem mais as mulheres que engravidam, mas que estão em dificuldades para terem um filho".

Marques Mendes disse ainda que a questão não é partidária, já que "depende da consciência de cada português" e insistiu na tese de que "é possível um compromisso entre os defensores do 'não' e os do 'sim', no sentido de descriminalizar as mulheres sem tornar o aborto livre".

"É importante defender a vida. Na actual lei já estão contempladas as situações limite em que é possível à mulher abortar legalmente", concluiu Marques Mendes.

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