O presidente do PSD, Marques Mendes, propôs hoje em Barcelos a descriminalização do aborto no Parlamento, como alternativa a uma lei que torna o aborto livre e a pedido da mulher.
"Há um certo consenso na sociedade portuguesa: as pessoas não querem o aborto livre, mas também não querem que as mulheres possam ir para a cadeia se forem forçadas a fazê-lo", afirmou o líder social-democrata, frisando que a descriminalização também é aceite por muitos membros da plataforma do "não".
Marques Mendes falava aos jornalistas no final da visita que fez, a título pessoal, a uma exposição promovida em Barcelos pelo movimento "Minho pela Vida".
Na opinião de Marques Mendes, a solução para o dilema "passa pelos eleitores votarem 'não' no próximo domingo, sabendo que há um compromisso no sentido de mudar a lei", afirmou o presidente do PSD.
Mendes apela "para que ninguém se abstenha"
Marques Mendes disse também que tem encontrado, a uma semana do referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez, "muitas pessoas com dúvidas, que não querem a legalização total do aborto porque defendem a vida", apelando, por isso, "para que ninguém se abstenha".
Questionado sobre a possibilidade de a vitória do "não" significar a manutenção do aborto clandestino e da prisão de mulheres que o praticam, Marques Mendes considerou que "o problema não se resolve com o aborto clandestino".
Marques Mendes frisou que, neste momento, em Portugal, não há nenhuma mulher presa por ter feito aborto clandestinamente, considerando que "existe um grande consenso sobre a descriminalização".
"O aborto é um mal"
"O aborto é um mal, mas este não se resolve legalizando o mal", afirmou igualmente Marques Mendes, dizendo ser necessário que o Estado e a sociedade civil "ajudem mais as mulheres que engravidam, mas que estão em dificuldades para terem um filho".
Marques Mendes disse ainda que a questão não é partidária, já que "depende da consciência de cada português" e insistiu na tese de que "é possível um compromisso entre os defensores do 'não' e os do 'sim', no sentido de descriminalizar as mulheres sem tornar o aborto livre".
"É importante defender a vida. Na actual lei já estão contempladas as situações limite em que é possível à mulher abortar legalmente", concluiu Marques Mendes.


