Marques Mendes: manifestações levaram Governo a recuar no fecho de urgências

24.02.2007 - 19:14 Por Lusa
O líder do PSD, Marques Mendes, afirmou hoje que o primeiro-ministro, José Sócrates, “foi obrigado a recuar” na decisão de fechar serviços de urgência porque “teve medo” das manifestações de rua.
“As pessoas manifestaram-se na rua em vários pontos do país e o Governo percebeu e foi obrigado a recuar. Teve medo das manifestações de rua, teve medo da contestação que um pouco por todo o lado surgia”, disse Marques Mendes aos jornalistas, durante uma visita a Pampilhosa da Serra.
O líder social-democrata responsabilizou o primeiro-ministro pelo recuo, sublinhando que a assinatura, hoje, de alguns protocolos entre o Ministério da Saúde e autarquias foi o sinal da mudança na decisão governamental, cujo critério, defendeu, foram as manifestações populares.
“Pelos vistos está definido o critério: manifestação de rua e o primeiro-ministro manda o Governo imediatamente recuar” disse Marques Mendes.
“Tudo podia ter sido evitado se de há meses a esta parte o Governo tivesse agido com menos arrogância, e mais equilíbrio, menos autoritarismo e maior sentido de justiça. Fica claro para todos os portugueses que o Governo esteve insensível a esta matéria durante meses e mudou quando nas últimas semanas houve manifestações populares em vários pontos do país”, sustentou Marques Mendes.
Correia de Campos “a prazo”
O líder do PSD considerou ainda que o ministro da Saúde, Correia de Campos “tem os dias contados” no cargo.
Acusando Correia de Campos de adoptar uma pose de “arrogância, e incontinência verbal” e de “passar o tempo a criar instabilidade nos serviços de saúde”, Marques Mendes considerou que o ministro foi ultrapassado pelo primeiro-ministro na decisão sobre o fecho das urgências.
“Por ordens do primeiro-ministro, avançou no sentido de fechar vários serviços de urgência. Agora recebeu ordens para recuar porque o primeiro-ministro se assustou com as manifestações legítimas que as pessoas fizeram. Um ministro assim é obvio que é um ministro a prazo”, disse Marques Mendes.
Considerou ainda que a saúde em Portugal “está um caos, mais cara, difícil e distante”, defendendo uma política diferente para o sector: “Não estamos a falar de um bem de luxo, estamos a falar de uma questão essencial para as pessoas.”
Questionado sobre o que espera do Governo relativamente aos casos dos serviços de urgência ainda por resolver, Marques Mendes, disse que a saúde “não pode ser tratada apenas numa lógica económica. Espero que o Governo actue e que o faça em articulação com os autarcas, evitando-se estes avanços e recuos”, sublinhou.

