Mário Machado indignado acusa Rui Pereira de perseguir nacionalistas 
03.10.2008 - 18:17 Por PÚBLICO, com Lusa
Mário Machado, apontado como líder do grupo Hammerskins, de extrema-direita, mostrou-se revoltado com a sentença de prisão efectiva por discriminação racial e outros crimes e acusou o ministro da Administração Interna, Rui Pereira, de estar a perseguir os nacionalistas.
"Tenho consciência do que fiz. Nem eu nem nenhum dos arguidos merecíamos a prisão efectiva. Isto foi um processo político”, afirmou. “Os nacionalistas são vítimas de perseguição desde que o ministro grão-mestre da maçonaria Rui Pereira assumiu as suas funções”, acrescentou.
O arguido disse, ainda, que “quem merecia estar na prisão eram os ciganos e os pretos que andam aos tiros, como aconteceu na Quinta da Fonte (Loures), e ninguém foi acusado de racismo”. Ainda assim, garantiu que vai “lutar até ao último homem” depois de cumprir a pena nas “masmorras desta nova inquisição”.
O Tribunal de Monsanto, em Lisboa, condenou Mário Machado pelos crimes de ameaça, coacção agravada, detenção de arma ilegal, dano, ofensa à integridade física qualificada e discriminação racial, tendo esta última sido punida com dois anos e seis meses. No cúmulo jurídico Mário Machado foi condenado a quatro anos e dez meses de prisão efectiva, aos quais vai ser descontado os meses em que esteve em prisão preventiva, antes de ser libertado a 12 de Maio.
Segundo Mário Machado, "os casos de racismo em Portugal continuam a acontecer contra a comunidade branca e nunca ninguém foi alvo de processo". "É a liberdade de expressão que temos apenas para opiniões permitidas. Ficou mais uma vez provado que é perigoso estar certo quando o Governo está errado", desabafou.
O advogado de Mário Machado, José Manuel Castro, disse logo após o final da leitura do acórdão que iria apresentar recurso da decisão. "Considero que a pena aplicada é exagerada, porque os factos provados são bagatelas penais. Não houve mortes, nem roubos. As armas apreendidas não serviram para cometer nenhum crime. Por isso mesmo vamos recorrer", afirmou. Quarta-feira começa o prazo para a entrada do recurso, que se prolonga até dia 24.
Registo criminal fora da condenação
O juiz João Felgar explicou que do registo criminal de Mário Machado já não consta a condenação aplicada pelo envolvimento no homicídio do jovem de origem africana Alcino Monteiro, ocorrido no Bairro Alto, na década de noventa, pelo que esta ocorrência não foi considerada um antecedente criminal.
Além de Mário Machado, foram condenados a penas efectivas de prisão os arguidos Paulo Maia (sete anos), Pedro Issac (5 anos), Rui Veríssimo (três anos e nove meses), Paulo Lama (três anos) e Alexandre Dias (dois anos e 10 meses).
Paulo Alexandre Maia foi o arguido que sofreu a pena mais pesada, tendo sido condenado por discriminação racial (dois anos), ofensa à integridade física qualificada (três anos), dois crimes de detenção de arma proibida (seis meses e um ano e quatro meses), sequestro (oito meses) e coacção agravada (dois anos e três meses). O tribunal decidiu também mandar o arguido Sérgio Soares cumprir 250 horas de serviço comunitário em substituição de oito meses de cadeia por posse de arma ilegal.
Os arguidos condenados a penas suspensas são: Vasco Leitão, Tiago Leonel, Filipe de Bonet, Pedro Domingos, Paulo César, Paulo Ferreira, Paulo Correia, Nuno Pedro, Nelson Pereira, Miguel Vaz Lopes, José Amorim, Francisco Rosa, Filipe Ferreira, Daniel Mendes, "Dina", Daniel Mendes, Carlos Seabra, Bruno Ricardo, Bruno Monteiro e Bruno Malhoa.
Cinco foram absolvidos, tendo os restantes sido punidos com pena de multa.
No final da sessão, o líder do Partido Nacionalista Renovador, José Pinto Coelho, classificou este julgamento como "um processo político nunca visto em Portugal". "Este processo é uma perseguição a nacionalistas, está inquinado e cheio de arbitrariedades. É uma autêntica vergonha", afirmou Pinto Coelho, para quem "a culpa de os portugueses estarem cada vez mais inseguros deve-se à imigração descontrolada e às fronteiras abertas".
Os 36 arguidos, conotados com o movimento "skinhead", foram pronunciados a 29 de Novembro de 2007 pelo crime de discriminação racial e outras infracções conexas, incluindo agressões, sequestro e posse ilegal de armas, após uma investigação da Direcção Central de Combate ao Bandistismo (DCCB) da Polícia Judiciária, sob a direcção do Ministério Público.
Durante as buscas realizadas pela DCCB, na fase de investigação, foram apreendidas diversas armas de fogo, munições, armas brancas, soqueiras, mocas, bastões, tacos de basebol e diversa propaganda de carácter racista, xenófobo e anti-semita.

