O Tribunal Central de Instrução Criminal, em Lisboa, decretou hoje prisão preventiva ao líder nacionalista Mário Machado e a mais quatro arguidos, suspeitos entre outros crimes de associação criminosa, ofensa à integridade física e tráfico de droga.
Um sexto arguido vai ter de apresentar-se quinzenalmente às autoridades policiais e está proibido de adquirir armas durante um período de três anos e de estabelecer ou manter contactos com os restantes suspeitos.
Os cinco arguidos com prisão preventiva saíram do tribunal à 01h50, numa carrinha celular, proferindo insultos, embora apoiados no exterior por familiares e amigos que gritavam "Força, pessoal!"
As medidas de coacção constam de um comunicado que foi lido aos jornalistas pelo porta-voz do Tribunal, Pedro Lampreia, no final do interrogatório judicial que se prolongou por mais de sete horas.
À saída do Tribunal, o advogado de Mário Machado, José Manuel Castro, admitiu recorrer da prisão preventiva aplicada ao seu cliente, invocando a ausência de indícios criminais que justifiquem tal medida de coacção, a mais grave de acordo com o Código de Processo Penal.
O advogado de dois outros arguidos, Correia de Almeida, disse que também vai recorrer da decisão, alegando que "a prova é muito fraca", nomeadamente quanto ao crime de tráfico de droga.
Justificando as medidas de coacção aplicadas aos seis arguidos, o Tribunal considerou haver indícios dos crimes de associação criminosa, tráfico de estupefacientes, ofensa à integridade física qualificada, rapto, roubo agravado, usurpação de funções e posse de armas e munições proibidas.
Na sequência de uma investigação conduzida pelo Departamento de Investigação e Acção Penal, Mário Machado e mais dois arguidos foram detidos na quarta-feira "fora de flagrante delito", tendo-se seguido as detenções dos restantes arguidos, um dos quais em "flagrante delito", adiantou o Tribunal no comunicado.
À margem deste caso, Mário Machado, membro da organização considerada de extrema-direita Hammerskins, deverá comparecer em tribunal a 5 de Maio para responder num processo relacionado com ameaças à procuradora do Ministério Público Cândida Vilar. Cândida Vilar conduziu a investigação que levou Mário Machado - julgado com outros 35 "skinheads" - a responder num processo relacionado com discriminação racial e em que foi condenado em Outubro passado a quatro anos e dez meses de prisão efectiva, decisão da qual recorreu.


