Mário Machado abandona sala de audiências revoltado com testemunho de inspector da PJ

13.04.2010 - 15:04 Por Lusa
O julgamento de Mário Machado, dirigente da Frente Nacional, e de outros sete arguidos, acusados de alegada associação criminosa, ficou hoje marcado por um incidente provocado pelo testemunho de um inspector-chefe da Polícia Judiciária (PJ).
Pedro Pratas, inspector-chefe da Unidade Nacional de Combate ao Banditismo (UNCB), revelou que os três queixosos no processo em julgamento no Tribunal de Loures tinham determinadas profissões e que desconhecia condenações anteriores por tráfico de estupefacientes, o que levou Mário Machado a insurgir-se com veemência.
O líder do movimento Hammerskins de Portugal, conotado com a extrema-direita, afirmou que se tratava “de mentira” que um dos queixosos fosse “designer gráfico”, outro “taxista” e o último “vendedor de frutas e legumes”, como referiu o agente da PJ, o segundo a ser ouvido no julgamento.
Visivelmente irritado, Mário Machado pediu à presidente do colectivo de juízes, Susana Fontinha, para se ausentar da sala de audiência para se deslocar à casa-de-banho, tendo-lhe sido dada autorização.
O advogado de Mário Machado chegou mesmo a questionar Pedro Pratas sobre uma busca realizada pela PJ à casa de um dos queixosos, no Algarve, com o inspector-chefe a confirmar o facto e a revelar que, inicialmente, o aludido “figurou como suspeito do tráfico de armas”.
“Não é relevante o tribunal saber se os queixosos têm esta ou aquela profissão, mas definir uma personalidade é importante para o apuramento da verdade dos factos”, disse aos jornalistas o advogado José Manuel de Castro.
A segunda sessão do julgamento, que começou com um dos arguidos a queixar-se que “oito detidos foram transportados num veículo celular com capacidade apenas para quatro”, prossegue na tarde de hoje, com a audição de mais três inspectores da PJ envolvidos na investigação.
Neste processo, Mário Machado e os outros arguidos, quatro dos quais detidos preventivamente, estão ainda indiciados por tentativa de rapto, posse de armas de fogo, ofensas à integridade física e extorsão a três homens.
Os crimes que lhes são imputados reportam-se a finais de 2008 e início de 2009. Com conhecimento privilegiado da situação económica das vítimas, estas eram sequestradas em locais pré-estabelecidos, para lhes ser tirado dinheiro e automóveis, posteriormente vendidos a um stand em Lourel, Sintra, onde eram desmontados e vendidos à peça.
Mário Machado foi condenado a oito meses de prisão efectiva em finais de Fevereiro, por difamação, coação e ameaça a uma procuradora.
Anteriormente já fora condenado a quase cinco anos de prisão por envolvimento no homicídio de Alcino Monteiro, cidadão português de origem cabo-verdiana, espancado até à morte, em 1995, em Lisboa. Mário Machado já cumpriu a pena.

