Marinho Pinto: "O sistema de justiça foi capturado pela luta político-partidária"

30.11.2009 - 11:41 Por Paula Torres de Carvalho
O bastonário da Ordem dos Advogados considera que "o sistema de justiça foi capturado pela luta político-partidária em Portugal", em referência ao processo Face Oculta. Em entrevista ao PÚBLICO, Marinho Pinto lamenta ainda que "as principais armas de arremesso no debate político" sejam "questões de justiça" e não "questões políticas ou ideológicas".
Sobre as escutas feitas no âmbito do caso - que envolveram o primeiro-ministro e que o procurador-geral da república decidiu arquivar -, o bastonário deu um exemplo: 2Imagine que o doutor Dias Loureiro estava a ser alvo de escutas. É amigo íntimo de Cavaco Silva desde 1985. Suponha que uma conversa privada entre os dois, sobre assuntos que não tinham nada a ver com o objecto das escutas, era gravada. O que diriam, se essas conversas fossem transcritas, as pessoas que agora exigem a transcrição das conversas do doutor Vara com o primeiro-ministro?"
Questionado sobre se os magistrados responsáveis pelo caso têm objectivos políticos, Marinho Pinto critica a forma como o caso foi conduzido e afirma que "os magistrados portugueses, sobretudo através dos seus sindicatos têm, de facto, uma agenda política" mas não quer falar de "ninguém em particular".
"Se a conversa não teve relevância para o objecto do crime que estava em investigação e se o procurador-geral da República e o presidente do Supremo Tribunal de Justiça chegaram à conclusão que não tinha relevância criminal, as escutas não se devem trazer para o debate político. Abre-se uma porta muito perigosa", defende.

