Marinho Pinto: "Há pessoas que não aceitam a perda de privilégios" na Ordem

30.11.2009 - 10:42 Por Paula Torres de Carvalho
A Ordem dos Advogados vota hoje o polémico orçamento para 2010 e o bastonário, Marinho Pinto, volta a insistir que o caminho será "prescindir de pessoas" e "de alguns benefícios gratuitos que o Conselho Geral paga". Em entrevista ao PÚBLICO, o advogado lamentou a forte contestação em torno do corte de despesas, afirmando que "há pessoas que não aceitam a perda de privilégios".
"Vamos ter de prescindir de pessoas. Temos seis engenheiros informáticos na Ordem. Bastava um ou dois. Temos 230 funcionários. Bastava metade, seguramente", disse Marinho Pinto, que considerou que "a questão orçamental é estrutural". Uma questão que tem gerado muita polémica em torno da assembleia geral que hoje se realiza. No ano passado, a proposta de orçamento apresentada por Marinho Pinto foi chumbada, o que obrigou a ordem a cumprir o exercício de 2009 em regime de duodécimos.
"A Ordem sempre foi considerada propriedade de cerca de 200 advogados de Lisboa. Passavam do Conselho Geral para o Conselho Superior, do Conselho Distrital para o Conselho de Deontologia, são a nomenclatura dirigente tradicional com um discurso de auto engrandecimento sem nenhuma pertinência com a realidade. E a realidade são milhares e milhares de advogados a lutar pela sobrevivência profissional que só uns poucos conseguem", acrescentou Marinho Pinto.
Questionado sobre se vai proceder a uma "limpeza" de gastos na Ordem dos Advogados, o bastonário respondeu que tem "limitações do estatuto e da oposição interna", que considera ter como "verdadeiro líder" o presidente do Conselho Superior, José António Barreiros. "Chegou ao ponto de convocar de forma escandalosamente ilegal, uma assembleia geral para discutir matéria fora da sua competência. É a oposição organizada e a sabotagem sistemática."
No que diz respeito a uma possível recandidatura, Marinho Pinto disse que, provavelmente, só anunciará a sua decisão dia 3 de Junho. "Faz seis anos que fui à Assembleia da República com um discurso de ruptura com a podridão e com o imobilismo da nossa justiça", explicou.
Marinho Pinto abordou, também, o processo Face Oculta para afirmar que "o sistema de justiça foi capturado pela luta político partidária em Portugal" e lamentar que "as principais armas de arremesso no debate político" sejam "questões de justiça" e não "questões políticas ou ideológicas". Sobre as escutas, o bastonário criticou a forma como o caso foi conduzido e afirmou que "os magistrados portugueses, sobretudo através dos seus sindicatos têm, de facto, uma agenda política".

