O bastonário da Ordem dos Advogados quer saber que novos factos conduziram à dedução de acusação a um amigo da família de Rui Pedro, 13 anos depois de o menino ter desaparecido. Marinho Pinto quer que seja o próprio procurador-geral da República a dar as explicações.
Segundo Marinho Pinto, em declarações à Rádio Renascença, o Ministério Público deve explicar os últimos desenvolvimentos na investigação do caso já que 13 anos é muito tempo para deduzir uma acusação ao principal suspeito do desaparecimento do jovem.
“Acho que 13 anos é tempo a mais. Era bom que o Ministério Público desse uma explicação, porque é que demorou tanto tempo a acusar. Quais são os elementos novos que surgiram e que levaram o Ministério Público a formular acusação? E se não houve elementos novos, porque é que demorou tanto tempo?”, concretizou Marinho Pinto.
O advogado defendeu, também, que é importante esclarecer qual foi o destino de Rui Pedro. “É preciso ainda ver o que aconteceu àquela criança, porque o crime que pelos vistos está em causa é de rapto. É preciso ver o que aconteceu, se foi morta? Se estamos perante um homicídio? O que é que aconteceu na verdade”, acrescentou, à mesma rádio.
Marinho Pinto quer, por isso, que seja o próprio procurador-geral da República a dar explicações sobre o assunto e espera que esta acusação, deduzida 13 anos depois dos factos, não seja apenas uma fuga para a frente por parte dos investigadores.
Soube-se ontem que o presumível responsável pelo desaparecimento do menor Rui Pedro em 4 de Março de 1998, em Lousada, foi acusado de rapto qualificado. Trata-se de Afonso D., de 34 anos, motorista, residente em Freamunde, concelho de Paços de Ferreira.
Para incriminar o arguido, o procurador do Departamento Central de Investigação e de Acção Penal (DCIAP) baseia-se nos depoimentos de amigos e colegas de Rui Pedro, à data com 11 anos de idade, nas declarações de familiares da vítima e de uma prostituta ao encontro de quem o arguido levou o menor para ter relações sexuais no dia em que desapareceu.
Este encontro decorreu numa zona de prostituição em Lustosa, concelho de Lousada, e terá sido o último contacto conhecido que a vítima teve, apurou a Polícia Judiciária. Nos últimos 13 anos, os investigadores desenvolveram inúmeras diligências a nível nacional e internacional para determinar o paradeiro de Rui Pedro. Grande parte delas basearam-se num elevado número de informações e denúncias que colocavam o menor ora em Portugal ora em vários outros países, subjugado por pessoas ou organizações criminosas relacionadas com o tráfico de pessoas ou com situações de exploração sexual.
Os investigadores tentaram, em vão, esclarecer se Rui Pedro terá sido raptado por redes de pedofilia e tráfico de pessoas para exploração sexual e também não encontraram qualquer vestígio que apontasse para que o menor pudesse ter sido vítima de homicídio.


