Marinho Pinto critica referências de Carlos Cruz à justiça pré-25 de Abril

04.09.2010 - 11:35 Por Lusa
O bastonário da Ordem dos Advogados criticou ontem Carlos Cruz por comparar a sentença do processo Casa Pia aos tribunais plenários anteriores ao 25 de Abril, que eram uma ignomínias monstruosas onde as pessoas tinham sinais óbvios tortura.
“Não tem comparação. Ele pode discordar da sentença e, provavelmente, a sentença até pode ser injusta para ele, mas tem todas as garantias para recorrer e obter um escrutínio dessa sentença por outros tribunais”, justificou Marinho Pinto, intervindo sexta-feira à noite na tertúlia “125 minutos com…”, no Casino da Figueira da Foz.
“Mas não deve exagerar nas comparações, porque o que se passava nos tribunais plenários do Estado Novo eram ignomínias monstruosas”, sublinhou.
“Eram pessoas levadas lá, com sinais óbvios de tortura, torturadas dias e dias, noites e noites, espancadas (...). E juízes facínoras, piores que os próprios agentes da PIDE (...). Era coisa completamente diferente, isso [a afirmação de Carlos Cruz] é um exagero”, reafirmou.
Carlos Cruz disse na sexta-feira, em conferência de imprensa, que foi condenado em tribunal sem a existência de provas e qualificou como “preconceito” o julgamento que durou quase seis anos.
“Há muito tempo que este processo deixou de ser o ‘processo Casa Pia’ para ser o ‘processo Carlos Cruz’”, criticou o apresentador de televisão. Cruz apontou diversas falhas ao procedimento judicial, nomeadamente a não audição de pessoas relacionadas com os alegados acontecimentos. “Vêm-me à memória os tribunais plenários, anteriores ao 25 de Abril”, comparou.
Durante a tertúlia Marinho Pinto também criticou as declarações públicas de advogados do processo, no exterior do tribunal, após a leitura do acórdão. “A função do advogado é pressionar o juiz dentro do processo, toda a minha função é pressionar juízes para decidirem de acordo com os interesses que eu patrocino. (...) Cá fora um advogado não deve falar sobre os processos que patrocina, o estatuto [da OA] não o permite”, argumentou.

