Maria Antónia Martins, uma das seis doentes que ficou cega depois de uma operação no Hospital Santa Maria, aceitou hoje a indemnização proposta pela Comissão de Acompanhamento criada para avaliar os danos causados aos pacientes.
Desde a manhã de hoje que a Comissão está a propor aos doentes o valor da indemnização. Maria Antónia, 66 anos, foi das primeiras a conhecê-la, mas não quis revelar o montante.
“Os valores não são bem o que esperávamos, mas concordamos com eles”, disse à agência Lusa António José, marido de Maria Antónia, que perdeu a visão do olho esquerdo após uma intervenção cirúrgica ocorrida a 17 de Julho de 2008.
Sobre a indemnização proposta, António José afirmou: “Não vou dizer a ninguém os valores propostos, mas iremos aceitar”.
Segundo o Correio da Manhã online, Américo Palhota foi o primeiro doente a sair da reunião, tendo revelado que a comissão arbitral lhe propôs uma indemnização de 32 mil euros.
Para Américo Palhota, a indemnização “não é justa”: “Tinha pedido entre 50 a 60 mil euros e mesmo assim os valores não compensam a cegueira. O que me propõem fica muito aquém do que é justo”, disse ao jornal.
A Lusa tentou contactar Américo Palhota, 71 anos, mas sem sucesso.
Em declarações recentes à Lusa, Américo Palhota, que esteve 40 dias internado, contou que teve de desistir do quiosque de revistas e jornais que tinha para passar a dividir os dias entre a casa e o hospital.
"Desde que me cegaram fiquei sócio honorário do Hospital de Santa Maria", comentou ironicamente.
Walter Bom, o único doente que ficou cego dos dois olhos e que esteve internado seis meses, só vai conhecer a proposta da comissão hoje à tarde.
O presidente da Comissão de Acompanhamento, juiz desembargador Eurico Reis, não se quis pronunciar sobre os resultados dos trabalhos, remetendo todos os esclarecimentos para uma conferência de imprensa na segunda-feira na Faculdade de Medicina de Lisboa.
A Comissão de Acompanhamento foi criada a 25 de Agosto, pelo Hospital de Santa Maria, para avaliar os "eventuais danos e respectivo ressarcimento" dos seis doentes que ficaram sem visão.
Para o hospital, "o número elevado de utentes lesados e os contornos do sucedido justificaram a atribuição de um carácter excepcional ao acompanhamento desta situação, através de um meio célere e alternativo de mediação, inspirado no modelo da arbitragem voluntária".
A comissão de acompanhamento avaliou os relatórios clínicos de avaliação social, perícias médico-legais e demais elementos considerados necessários à instrução integral do processo de avaliação dos eventuais danos e respectiva indemnização.
Uma troca de medicamento na farmácia do hospital esteve na origem da cegueira, segundo o relatório da Polícia Judiciária.
Na sequência disso, o Ministério Público acusou em Dezembro de 2009 um farmacêutico e uma técnica de farmácia e diagnóstico como autores, na forma de dolo eventual e em concurso real, de seis crimes de ofensa à integridade física grave.


