Dezenas de milhares de pessoas desfilaram ao fim da manhã de hoje na capital espanhola numa manifestação contra o aborto, quando o Governo socialista de Rodriguez Zapatero prepara uma nova legislação, de prazos, para a interrupção voluntária da gravidez. À cabeça do desfile, que decorreu entre o Ministério da Igualdade e o Parlamento, ia um pano de 12 metros de largura com a palavra de ordem "Não existe o direito a matar, existe o direito à vida".
Entre os assistentes ao protesto, convocado pelas associações Direito à Vida, Faz-te Ouvir, Médicas pela Vida e Próvida, estavam 15 deputados e senadores do Partido Popular de reconhecida militância católica, que participaram a nível individual, bem como o vereador socialista da Câmara de Paradas, na Andaluzia. "Aprendi dos velhos e verdadeiros socialistas que a esquerda sempre está ao lado dos mais débeis e da vida, pelo que estou aqui", declarou o eleito socialista José Manuel Montero.
De acordo com os convocantes, esta manifestação foi o primeiro de uma série de protestos pela anunciada revisão da lei do aborto. A legislação actual data de 1984, e o Exectivo de Zapatero pretende que seja substituída por uma lei de prazos, que permita o aborto livre e gratuito até às 14 semanas e, se existirem riscos físicos e psiquícos para a mãe, até à 22ª semana de gravidez. No caso de existirem problemas com o feto incompatíveis com a vida, não haverá limite estabelecido para o aborto.
As recomendações propostas pela comissão de peritos consultada pela ministra da Igualdade, Bibiana Aído, admitem que as menores, a partir dos 16 anos, possam interromper a gravidez sem conhecimento ou autorização dos pais. Uma disposição que, devido à acesa polémica suscitada, será alterada. As menores podem abortar desde que acompanhadas por um adulto, por elas designado.


