Malária: Conferência internacional debate em Lisboa avanços na investigação

07.07.2009 - 09:00 Por Lusa
Especialistas em malária tanto a nível nacional como internacional reúnem-se a partir de amanhã, em Lisboa, para apresentar e debater os últimos avanços na investigação do diagnóstico, tratamento e prevenção daquela doença tropical.
A iniciativa é da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD) em colaboração com o NIAID (National Institute for Allergy and Infectious Diseases), que faz parte dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos Estados Unidos. O objectivo, segundo explicou à Lusa Rui Vallêra, subdirector da FLAD e um dos organizadores da conferência, "é pôr os investigadores portugueses que trabalham na área da malária em contacto com colegas norte-americanos e de outras nacionalidades que têm alguma experiência de trabalho em África".
Trata-se "de possibilitar uma troca de conhecimentos e de experiência entre eles que lhes permita estabelecer novos contactos, no sentido de desenvolverem projectos de investigação em parceria", acrescentou.
Em Portugal destacam-se na investigação nesta área o Instituto de Higiene e Medicina Tropical, o Instituto Gulbenkian de Ciência e o Instituto de Medicina Molecular, entre outros, e há uma rede de investigação dos países lusófonos específica para a malária que também envolve a CPLP.
No âmbito da conferência, a FLAD vai disponibilizar três prémios de 20 mil euros cada, os Luso-american Collaborative Response Awards, a atribuir a novos projectos de investigação que sejam desenvolvidos em colaboração com os participantes.
"É um pequeno estímulo destinado às pessoas que vêm participar na conferência, para que tenham um papel activo, troquem impressões com os colegas e no final dos trabalhos apresentem projectos de investigação", afirmou o responsável da FLAD.
Entre os investigadores participantes contam-se nomes sonantes a nível mundial, como Elena Levashina, do Instituto de Biologia Molecular e Celular da Universidade Louis Pasteur, de Estrasburgo (França), Moses Kamya, da Universidade Makerere (Uganda), ou Diane Taylor, das universidades de Georgetown e do Hawai (Estados Unidos), que desenvolve projectos em África, nomeadamente nos Camarões.
Esta investigadora norte-americana, que apresentará a comunicação "Estudos de campo em África: Desafios e oportunidades inesperadas na investigação sobre malária", tem, segundo Rui Vallêra, "muita experiência não só ao nível da investigação pura, como da investigação aplicada em África".
Entre os participantes portugueses contam-se investigadores de várias instituições, alguns dos quais estão no concelho científico da conferência, como Maria Manuel Mota, moderadora de uma das sessões do terceiro e último dia da conferência, sexta-feira, que decorrerá num formato de mesas redondas, mais informal, para permitir aos investigadores apresentar e discutir abertamente os seus projectos.
Especialistas de Angola, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Moçambique estarão também presentes nesta iniciativa, que tem por título "Uma solução conjunta para as doenças tropicais: a resposta luso-americana - Conferência sobre a Malária".
A colaboração entre a FLAD e o NIAID iniciou-se em 2007, com a realização de uma conferência sobre tuberculose, prossegue este ano com esta iniciativa sobre malária e completa-se em 2010 com uma conferência sobre VIH/SIDA, referiu Rui Vallêra.

