Portugal é um dos quatro países europeus com maior número de crianças com excesso de peso, a par de Malta, Espanha e Itália, anunciou hoje a Comissão Europeia.
Nestes quatro países as taxas de excesso de peso e de obesidade excedem os 30 por cento nas crianças com idades compreendidas entre os sete e os 11 anos.
As mesmas taxas ultrapassam os 20 por cento, na mesma faixa etária, no Reino Unido, Irlanda, Suécia e Grécia, situando-se entre dez e 20 por cento em França, Suíça, Polónia, República Checa, Hungria, Alemanha, Dinamarca, Holanda e Bulgária.
"Estão a acontecer alterações gravíssimas" na alimentação em Espanha, por exemplo, onde se passou da tradicional dieta mediterrânica para outra rica em açúcares e gorduras, alertou Philip James, responsável por uma investigação da Associação Internacional para o Estudo da Obesidade, em conferência de imprensa.
"Estamos a começar a ver essa transformação" noutros países mediterrânicos, nos quais, para inverter a tendência, é necessário familiarizar as crianças com os alimentos saudáveis - em particular com as frutas e vegetais -, considerou Philip James.
De acordo com o comissário europeu de Saúde e Protecção do Consumidor, Markos Kyprianou, o excesso de peso e a obesidade estão a adquirir o carácter de uma "autêntica epidemia", com cerca de 400 mil novos casos de crianças obesas na União Europeia (UE) todos os anos.
"Não se trata apenas de um problema estético. Se continuarmos a este ritmo, as consequências podem ser catastróficas para os sistemas de saúde europeus", advertiu, indicando que os gastos derivados desta doença ascendem a entre dois e oito por cento dos custos dos cuidados de saúde na UE.
Comissão Europeia desenvolve iniciativa para combater excesso de peso e obesidade infantil
A Comissão Europeia arrancou hoje com uma iniciativa para combater o excesso de peso e a obesidade infantil, que pretende reunir os esforços das iniciativas europeias, a indústria e os consumidores, com o objectivo de promover estilos de vida mais saudáveis, explicou Markos Kyprianou.
O comissário assegurou que todos os participantes comprometeram-se a aplicar medidas nesse sentido e que as acções serão revistas periodicamente para verificar os progressos.
"Quero resultados concretos", frisou Markos Kyprianou, manifestando a intenção de ver os resultados desta iniciativa antes de recorrer a medidas mais drásticas, como a eventual adopção de acções legais.
O responsável referia-se à possibilidade de criar normas mais restritas quanto à composição dos alimentos industriais destinados a crianças. "Não queremos eliminar nenhum alimento", se o seu consumo for feito de forma correcta, concluiu.


