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Actualização – Serviços de emergência fazem balanço do sinistro

Mais de 150 mortos no acidente aéreo de Madrid

20.08.2008 - 20:00 Por PÚBLICO

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O tráfego aéreo foi retomado em Barajas cerca de três horas depois do acidente O tráfego aéreo foi retomado em Barajas cerca de três horas depois do acidente (Paul Hanna/Reuters)
Apenas 19 das 172 pessoas que seguiam a bordo do avião da Spanair que hoje se despenhou no aeroporto de Barajas, em Madrid, sobreviveram ao acidente que vitimou 153 pessoas, de acordo com indicações da companhia aérea ao "El País". Este é já considerado o pior acidente aéreo em Espanha dos últimos 30 anos. A maioria dos feridos, encaminhados para vários hospitais da capital espanhola, encontra-se em estado considerado muito grave. Um dos feridos, um rapaz na casa dos 20 anos, acabou por morrer ao final da tarde, fazendo descer para 19 o número de sobreviventes.

Das 172 pessoas a bordo, 162 eram passageiros (incluindo vinte crianças e dois bebés) e dez eram membros da tripulação.

“Apenas a cauda está reconhecível. Há destroços espalhados por todo o lado e corpos”, admitiu em declarações à rádio nacional espanhola Herbigio Corral, responsável pelas operações dos serviços de emergência no local do acidente. Herbigio Corral confirmou que há apenas 28 sobreviventes e que destes oito estão em estado crítico.

A ministra espanhola das Infra-estruturas, Magdalena Alvarez, falou também aos jornalistas esta tarde no aeroporto de Barajas, mas recusou-se adiantar o número de mortos do acidente. Magdalena Alvarez afirmou apenas que o número “é muito elevado” e que os últimos dados apontavam que apenas 26 tinham sido resgatadas.

Fontes da delegação do Governo em Madrid citadas pelo "El Mundo" avançaram que 80 corpos foram já retirados do local. Os corpos foram transportados para um pavilhão do centro de exposições Juan Carlos I, em Madrid, para serem identificados.

A bordo do voo JK5022 da Spanair, que fazia a ligação entre Madrid e Las Palmas (Canárias) e era partilhado com as companhias aéreas alemã Lufthansa e escandinava SAS, seguiam 166 passageiros, incluindo dois bebés, e nove tripulantes, segundo informações avançadas pelo director comercial da companhia espanhola, Sergio Allar.

A lista de passageiros já foi divulgada pela Spanair (ver link), não especificando, porém, as pessoas que morreram e as que sobreviveram.

O avião deveria ter descolado do aeroporto pelas 13h00 locais (12h00 em Lisboa) mas só levantou voo às 14h35 (13h45), depois de ter submetido a uma inspecção técnica. A própria Spanair confirmou que o seu aparelho saiu com uma hora de atraso devido a problemas técnicos.

Pouco depois de descolar, um dos motores do lado esquerdo do aparelho ter-se-á incendiado e o avião acabou por despenhar-se na pista 36L, no Terminal 4, provocando um fogo na vegetação próxima da pista. O jornal espanhol “ABC” avançou que o aparelho ter-se-á despenhado após uma segunda tentativa de descolagem. O "El Mundo" adianta, por sua vez, que após a queda o avião partiu-se em dois. Estas informações não foram ainda confirmadas oficialmente.

As caixas negras do aparelho já foram encontradas e as investigações ao acidente vão ser iniciadas.

As operações de socorro continuavam na pista 26 do aeroporto ao cair da noite. Segundo o “El País”, pouco antes das 20h00 locais (19h00 em Lisboa) uma equipa de mergulhadores da Guarda Civil efectuava buscas num rio próximo do local do acidente, quando continuam desaparecidas 25 pessoas. A operação foi iniciada no rio por parte da fuselagem do avião ter caído na água.

A Spanair, a segunda maior companhia aérea espanhola, a seguir à Iberia, accionou um número de emergência para os familiares dos passageiros (0034 800 400 200) e fretou um voo desde as Canárias até Madrid para as famílias das vítimas. No aeroporto de Madrid foi disponibilizada uma sala onde está a ser dado apoio psicológico aos familiares.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros português disponibilizou também um número (707 202 200) onde podem ser dadas e recebidas informações sobre a possível existência de portugueses entre os passageiros.

* notícia actualizada às 23h48


Um avião em fim de ciclo

O avião McDonnell Douglas 82 (MD-82) é um aparelho de concepção antiga, mas ainda muito utilizado por companhias aéreas de vários países.

Fabricados pela empresa norte-americana com o mesmo nome – comprada em 1997 pelo gigante da aeronáutica Boeing – os primeiros aviões da geração MD-80, sucessores do DC-9, entraram ao serviço em 1980, tendo a sua produção sido descontinuada em 1999.

Com 45,1 metros de comprimento, o MD-82 pode transportar até 144 ou 168 passageiros, conforme as diferentes configurações adoptadas pelas companhias aéreas.


“Trata-se de um tipo avião em fim de vida. São relativamente poluentes e barulhentos, devido à sua motorização antiga. Estão aos poucos a ser retirados de circulação e a ser substituídos [pelas companhias] por Boeing 737 e Airbus 320”, afirmou Gérard Feldzer, director do Museu do Ar e Espaço de Bourget, nos arredores de Paris.


O perito diz que a maior parte dos MD-82 que continuam em funcionamento “são aviões em segunda ou terceira mão, o que quer dizer que já foram revendidos uma ou duas vezes entre companhias”, mas sublinha que, em aviação, a idade do avião não é determinante: “Não podemos fazer uma correlação entre o tipo de avião, a sua antiguidade e o acidente. Não é por um avião ser mais antigo que é mais perigoso que outro”.


A Spanair conta actualmente com 36 aviões do geração MD-80. Em final de Março, a American Airlines – a companhia com mais aviões deste tipo na sua frota – foi obrigada a cancelar mais de 600 voos, depois de ter recebido um aviso da autoridade de aviação norte-americana para alegadas anomalias no sistema de cablagem destes aparelhos.

AFP

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Eu nunca andei de avião, e cada vez que vejo situações como estas penso para mim que nunca vou ...

Jéssica

22.08.2008 14:01

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