Maioria da UE contra proposta de alargamento da licença de maternidade para 20 semanas

06.12.2010 - 17:46 Por Lusa
Uma grande maioria de Estados-membros manifestou-se hoje, em Bruxelas, contra o alargamento da licença de maternidade de 14 para 20 semanas na União Europeia (UE), como era defendido no relatório da deputada Edite Estrela aprovado pelo Parlamento Europeu.
Segundo fontes comunitárias, uma maioria expressiva de ministros do Trabalho dos 27 pronunciou-se contra o alargamento alegando que esta medida teria um custo excessivo no contexto actual de crise económica.
Reino Unido, França e Alemanha foram os que lideraram o grupo dos que se opuseram às pretensões do Parlamento Europeu que também incluía, entre outros, a Suécia, Eslováquia, Dinamarca, República Checa, Holanda e Malta.
Segundo as mesmas fontes, países como Espanha ou Portugal não se manifestaram abertamente contra, mas também não mostraram muito entusiasmo com a proposta do Parlamento Europeu.
No final do debate dos ministros, a presidência belga indicou que não via necessidade da realização de um estudo de impacto sobre a proposta da assembleia visto uma maioria de países a terem recusado.
A base das negociações sobre o alargamento do período pago da licença de maternidade passa a ser a da proposta inicial da Comissão Europeia que prevê um aumento de 14 para 18 semanas e não obriga ao pagamento da totalidade do salário.
A Bélgica anunciou que iria apresentar uma proposta conjunta com as duas próximas presidências, Hungria e Polónia, para tentar desbloquear o actual debate.
A legislação europeia terá de ser aprovada de comum acordo entre o Conselho (Estados-membros) e o Parlamento Europeu, mas antes que as negociações entre as duas instituições se iniciem os representantes dos governos europeus terão de chegar a uma posição comum sobre a questão.
O Parlamento Europeu aprovou em 20 de Outubro último em Estrasburgo a proposta de alargamento da licença de maternidade para 20 semanas, apresentada pela eurodeputada portuguesa Edite Estrela, que contemplava também uma licença de paternidade obrigatória de duas semanas.
O texto final adoptado pelo hemiciclo de Estrasburgo previa o pagamento quase integral da licença de maternidade alargada, com o pagamento de 100 por cento nas primeiras 16 semanas e de 75 por cento nas derradeiras quatro.
Actualmente, o cenário é muito variado na União Europeia, havendo países onde a duração mínima da licença de maternidade é de 14 semanas.

