Importações ilegais fazem-se maioritariamente por via marítima. África e o Leste são as principais fontes de abastecimento, mas há cada vez mais armas brasileiras.
Europa de Leste e África. Estes são os dois principais locais de proveniência das armas ilegais que circulam em Portugal. No primeiro caso apontam-se as antigas colónias portuguesas como sendo os países de onde provém mais armamento. No segundo atribuiu-se ao desmembramento da ex-URSS a possibilidade de um negócio que inundou o Ocidente europeu, mas também a Ásia, África e alguns Estados sul-americanos com diverso tipo de armamento.
Não existem indicadores que revelem a entrada de armas de fogo em Portugal por via marítima, mas suspeita-se que este seja um dos métodos preferenciais, sobretudo no que se refere ao armamento proveniente de África. A maior parte das armas detectadas em Portugal chega por terra, beneficiando quem o transporta com o facto de as fronteiras da União Europeia estarem abertas.
Em Portugal são as caçadeiras e as pistolas transformadas que constituem a maior parte das armas que acabam por ser confiscadas. As primeiras são, normalmente, furtadas em armeiros ou em residências. Muitas vezes quem as utiliza corta-lhes a coronha e os canos, o que não só permite um melhor transporte e camuflagem mas também (no caso dos canos serrados) possibilita uma maior dispersão do chumbo, aumentando poe essa via os danos causados e a possibilidade de atingir o alvo.
Muitas das armas transformadas não oferecem grande segurança a quem as manuseia, pois acabam por ser modificadas em oficinas artesanais, onde lhes são retiradas umas peças e colocadas outras sem que, no entanto, existam especiais cuidados com a qualidade dos materiais utilizados. Na maior parte dos casos está-se em presença de pequenas pistolas que inicialmente funcionavam com recurso a uma botija de um gás específico e que, depois de intervencionadas, passaram a disparar munições de calibre 6,35 milímetros. Estas intervenções artesanais acabam, muitas vezes, por culminar na substituição dos canos, sendo frequente alguns rebentarem quando submetidos a uma cadência de tiro mais elevada.
A procura deste tipo de pistolas é grande e pode explicar-se por três motivos: o calibre é autorizado (desde que o portador possua licença de uso e porte de arma) a civis; a arma é pequena e fácil de dissimular, e, por fim, porque, tratando-se de um objecto sem grandes sinais de qualidade, também não atinge preços proibitivos.
Muitas das pistolas que as diversas polícias apreendem em Portugal são armas com algumas dezenas de anos. São pistolas de fabrico espanhol, francês e brasileiro. No caso das europeias, a sua chegada foi facilitada pela proximidade geográfica e até pelo número de portugueses que as obtiveram por trabalharem nesses países. As pistolas brasileiras, cada vez mais frequentes, são igualmente explicadas pelo aumento dos imigrantes desse país, sendo que o aumento não se verifica apenas em Portugal, mas na maior parte da Europa ocidental.
Outro tipo de armamento, sobretudo armas de calibres proibidos, tem chegado a Portugal proveniente de países que enfrentaram guerras recentes, como é o caso da antiga Jugoslávia. Estas armas são, normalmente, pistolas de calibre 9 milímetros e, por vezes, algumas metralhadoras ou espingardas de precisão. A apreensão das metralhadoras é rara, sendo até que os modelos mais confiscados pertencem a lotes anteriormente utilizados pelas Forças Armadas portuguesas (caso das G-3) e, até, modelos que foram utilizados na II Guerra Mundial.


