Das 440 mil toneladas de carne de suíno consumidas no país, só 30 toneladas foram importadas da Irlanda

Maior parte da carne de porco irlandesa em Portugal foi para fábricas de enchidos

09.12.2008 - 08:35 Por Catarina Gomes

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O ministro diz que a carne irlandesa importada representa apenas  0,006 por cento do consumo O ministro diz que a carne irlandesa importada representa apenas 0,006 por cento do consumo (Carlos Lopes (arquivo))
A Direcção-Geral de Veterinária (DGV) tinha ontem identificado a única empresa importadora da carne de porco da Irlanda, situada em Vila do Conde, e apreendeu no local seis toneladas que foram enviadas para análise, esclareceu o assessor de imprensa do Ministério da Agricultura, Mário Ribeiro. Os técnicos concluíram que as restantes 24 toneladas foram enviadas para meia dúzia de fábricas de transformação de enchidos e salsicharia, acrescentou.

Durante o dia de hoje a DGV irá a cada uma das unidades. Caso não tenham entrado no mercado os produtos em causa serão retirados e enviados para análise, se tiverem entrado no circuito de venda será avisada a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE).

"A carne que está no mercado é perfeitamente segura, não há riscos para a saúde", acrescentou o ministro, citado pela Lusa. A Autoridade Irlandesa de Saúde Alimentar salientou que a retirada do mercado da carne devido à possível contaminação com dioxinas tóxicas é apenas uma medida de precaução e garantiu que o risco para a população é mínimo.

Embalagem na mão, Maria de Lurdes pergunta: "De onde é esta carne?" "Essa é nossa", responde prontamente José Manuel Cardoso, responsável da secção de talho do supermercado Pingo Doce da Avenida de Tomás Ribeiro, em Lisboa. A cliente logo desmobiliza, basta-lhe saber que é nacional para ter confiança na compra: "É nossa, é boa. Gasto sempre português".

Está-se a falar de carne de bovino, mas o problema actual é com a carne de porco irlandesa. Maria de Lurdes era a única cliente, de uns cinco que se encontravam ontem à tarde junto à secção de carnes, que tinha ouvido falar do problema nas notícias - as autoridades irlandesas detectaram "níveis muito altos de dioxinas" em porcos no matadouro que provinham de nove quintas, níveis 100 vezes superiores ao máximo permitido pela União Europeia, o que levou à ordem de retirada de produtos suínos que foram comercializados sobretudo nas ilhas britânicas.

Portugal está entre os 12 estados-membros que receberam carne ou produtos suínos derivados da Irlanda, informaram as autoridades do país citadas pela Lusa. A porta-voz para a Saúde da Comissão, Nina Papadoulaki, anunciou ontem em Bruxelas que, através do Sistema de Alerta Rápido da União Europeia para Rações e Alimentos, se soube que a lista inclui também nove países exteriores à União Europeia.

O ministro da Agricultura, Jaime Silva, veio ontem acalmar os consumidores portugueses. Sim, chegaram a Portugal 30 toneladas de carne de porco irlandesa, mas trata-se de um valor residual (como o PÚBLICO noticiou ontem) no total das 440 mil toneladas consumidas no país, sublinhou - ou seja, só 0,006 por cento.

Os países comunitários eventualmente afectados, e que por isso deverão também adoptar medidas, são

Alemanha, Bélgica, Chipre, Dinamarca, Estónia, França, Holanda, Itália, Polónia, Reino Unido e Suécia.

Carne de bom aspecto

O responsável do talho do Pingo Doce de nada sabia sobre as dioxinas na Irlanda, mas, afiança, ali todo o porco vendido vem do Alentejo, é o que lhe garante "a sua entidade patronal".

Mas a verdade é que são poucos os clientes que perguntam pela origem e ela não está afixada. "Compro a que tiverem, a que tiver melhor aspecto. De onde ela é não sei", responde uma cliente.

Maria de Lurdes diz que já tinha má experiência com a vitela irlandesa: "É muito mole". Ela, de resto, só come porcos do Alentejo - é ainda mais específica, só come dos seus porcos do Alentejo. Vive entre Lisboa e aquela região e tem a sua própria criação. "Sei o que lhes dou para comer." Deixa também uma receita pessoal para detectar hormonas na carne, "quando se cozinha deita muita água".

Na montra das carnes pode ler-se que dois tipos de carne de bovino são de Portugal, a excepção é um naco de vazia, que é da Irlanda. "Só é obrigatório pôr o local de origem para a vaca, mas se for obrigatório a gente põe na de porco", acrescenta o talhante.

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factos continentais

pois é.. hoje à tarde fui ao continente comprar carne d vaca embalada daquela mais baratinha (sou ...

alexmolinari

10.12.2008 00:35

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