O secretário de Estado adjunto do ministro da Administração Interna, Paulo Pereira Coelho, afirmou hoje que Portugal está preparado para os incêndios, admitindo no entanto que o Verão adivinha-se difícil.
"Portugal tem meios humanos e materiais mais que suficientes para poder enfrentar a ameaça dos incêndios florestais", considerou Paulo Pereira Coelho, durante a apresentação do Plano Operacional Nacional de Combate aos Incêndios Florestais de 2005.
No entanto, o governante, que está a poucos dias de cessar funções, apelou à consciencialização da sociedade portuguesa para o problema e à mobilização de esforços para se obterem melhores resultados, numa área em que prevê dificuldades para este ano.
"Infelizmente estamos confrontados com a perspectiva de um ano muito difícil ao nível climatérico", considerou o governante.
Para Paulo Pereira Coelho, o que falta é "formação específica" e mais meios aéreos, que permitiriam enfrentar melhor as ameaças ao longo de todo o ano.
Sobre o plano, concluído desde Novembro, assegurou que se for "cumprido e implementado em tempo útil deixará Portugal muito mais apto a fazer um combate eficaz aos incêndios florestais e a minorar claramente os efeitos de um ano que se prevê, em termos meteorológicos, muito adverso e potencialmente propício à eclosão de grandes incêndios".
Quanto aos incêndios que têm ocorrido este ano, nomeadamente o de Mortágua e o de Albergaria-a-Velha, que deflagrou na madrugada de hoje, Paulo Pereira Coelho admitiu que "o país não está tão bem preparado nesta altura como costuma estar durante a época normal de incêndios".
Mais meios de combate
O plano para o combate aos incêndios florestais prevê este ano 41 meios aéreos - mais três que no ano passado -, dos quais 29 são heli-bombardeiros, seis heli-bombardeiros pesados e seis aero-tanques anfíbios.
No entanto, as eleições legislativas levaram o Executivo cessante a não lançar o concurso para aquisição dos meios anfíbios.
"Entendemos que não era legítimo ser o Governo cessante a lançar o concurso de aquisições de meios", sublinhou o secretário de Estado.
Paulo Pereira Coelho explicou que o Governo, em vez de promover um concurso internacional de aquisição de meios, propôs um concurso de aluguer para adquirir dois anfíbios pesados e quatro anfíbios ligeiros.
Criação de um comando único
A grande novidade do plano, segundo o secretário de Estado, é a criação de um comando único, que já está em funcionamento.
"Foi uma conquista ter-se conseguido um comando único", salientou, considerando que é fundamental para se poder coordenar as acções quer de prevenção, quer de combate aos incêndios florestais.
O dispositivo de resposta de combate aos incêndios para 2005 é formado por um centro nacional de operações de socorro, 18 centros distritais de operações de socorro, seis bases de apoio logístico, duas bases permanentes de helicópteros, 32 centros de meios aéreos, 449 corpos de bombeiros e uma força operacional conjunta (Focon), formada por 3924 elementos.
A Focon é formada por 620 Grupos de Primeira Intervenção (3100 bombeiros), 200 Grupos de Apoio (400 bombeiros), 35 Grupos Helitransportados (237 bombeiros), Elementos de Comando de Serviço (80 elementos), Pessoal de Apoio aos Centros de Meios Aéreos (80 elementos), uma Equipa Nacional de Avaliação e Coordenação (nove bombeiros) e pelo Grupo Nacional Fogos Tácticos (18 bombeiros).
A Força Operacional Conjunta integra 917 veículos, 620 dos quais de combate, 150 tanques tácticos, 50 tanques de grande capacidade, 50 de comando táctico, 24 de comando e comunicações e 23 veículos de apoio.
Os 449 corpos de bombeiros (formados por 42 mil homens) são formados por seis corpos de sapadores, 18 municipais, 411 associativos e 14 privativos.
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