O comissário para os Direitos Humanos na Rússia, Vladimir Lukin, não vê razões para privar dos direitos maternais Natália
A comissão esteve este mês na vila de Pretchistoe, onde vive Alexandra, depois de nos órgãos de informação terem sido publicadas informações de que Natália Zarubina não trabalhava e abusava de bebidas alcoólicas. Para Lukin, as relações na família Zarubina são boas e a própria Natália mostrou fazer melhorias.
“No que respeita à mãe de Alexandra, Natália Zarubina, ela tem emprego, não falta ao trabalho e não foi alvo de críticas no emprego. Não foram registados factos de abuso de bebidas alcoólicas por Natália Zarubina desde que ela passou a ter emprego permanente em Setembro passado. Funcionários dos órgãos municipais, da polícia e da procuradoria constataram alterações benéficas no seu comportamento”, considerou o dirigente da comissão de Direitos Humanos junto do Presidente da Rússia.
O responsável acrescentou que Alexandra frequenta um infantário e fala russo fluentemente.
“Ela tem amigos, fala com muito calor da mãe, da irmã e de outros membros da sua família. Quando os nossos funcionários a visitaram, a menina mostrou-lhes com agrado o seu quarto, bonecos, desenhos em tons claros e que representam membros da família”, declarou.
“Por conseguinte, actualmente, não vemos fundamentos para levantar a questão da privação dos direitos maternais a Zarubina (Natália)”, sublinhou.
Vladimir Lukin revelou também que “o destino da menina se encontra sob o controlo permanente” do seu comissariado, concluindo que “graças a isso serão imediatamente conhecidas todas as alterações na família dos Zarubin”.
Em finais de Outubro, as autoridades da vila de Pretchistoe admitiram privar Natália Zarubina dos direitos maternais e retirar a menina da casa onde habita.
“Já a chamámos aqui várias vezes, já lhe pedimos que mudasse de vida, que nós a ajudaríamos a tratar-se do alcoolismo, mas ela diz que não está doente e recusa toda a ajuda nesse campo”, declarou à Lusa Iúri Kudriavtsev, vice-presidente da Câmara de Pretchistoe e chefe da comissão municipal de menores. Segundo a lei russa, as autoridades não podem obrigar Natália a tratar-se.
“Ela chegou aqui há alguns meses e nós estamos a tentar fazer tudo para normalizar a situação, mas esteve oito anos em Portugal e vocês não viram o estado em que ela estava? Mas que tribunal entregou a menina a uma pessoa assim?”, interrogou Kudriavtsev em jeito de defesa.
O vice-presidente da autarquia acrescentou que “o comportamento de Natália tem vindo a agravar-se” e admitiu que as autoridades comaçam “a encarar a possibilidade de a privar dos direitos maternais”.


