Mãe adolescente faz greve de fome à porta do Tribunal de Cascais para travar adopção do filho

15.06.2009 - 15:53 Por Lusa
A mãe adolescente de uma criança que a justiça decidiu dar para adopção iniciou hoje uma greve de fome junto ao Tribunal de Cascais, onde se propõe passar o dia e a noite em protesto.
Ana Rita Leonardo protestou hoje de manhã em frente ao Tribunal de Cascais contra a decisão judicial de dar o filho, de dois anos, para adopção.
Com 15 anos, promete ir "até onde for preciso para o recuperar", dispondo-se a passar todo o dia e até a noite em frente ao Tribunal, na esperança de que apareça alguém que explique "por que é que há urgência em adoptar o menino".
"Não tem lógica aquilo que estão a fazer, o meu filho devia estar ao pé de mim e pronto. Não há razão para ele não estar comigo", frisou.
Sobre a greve de fome, Ana Rita admite que vai ser um sacrifício muito grande, mas que, na luta para recuperar o seu filho, é capaz de tudo.
"A greve de fome é o menos. O que importa é que o meu filho não vê a mãe e eu não estou com ele e temos saudades", sublinhou.
Esta é a quarta manifestação organizada pela família e amigos da criança, depois de terem estado em frente ao Tribunal de Cascais, no Refúgio Aboim Ascensão, em Faro, e na Segurança Social de Cascais.
Presente no local esteve também a irmã de Ana Rita, que a tem acompanhado desde o início nas manifestações e que se sente "revoltada" com esta decisão judicial, "porque nem sequer deram a oportunidade de o menino estar em casa com a família".
Filipa Leonardo faz um apelo: "Não adoptem o meu sobrinho. Dêem uma oportunidade à Rita de provar que é uma boa mãe".
Também a tia paterna de Ana Rita se juntou à manifestação, afirmando que "é uma grande injustiça o que estão a fazer".
"A Ana Rita é uma boa mãe, tem todas as condições para criar o filho e nunca lhe há-de faltar nada", reivindicou Isabel Barreiros.
"Tantas miúdas drogadas, que só andam em festas e não querem saber dos filhos e a elas não acontece nada, só a esta mãe que ama o filho é que fazem isto?", questionou.
Ana Rita mostrou-se também desiludida com a ausência do pai da criança nos protestos que tem organizado.
"O filho não é só meu, também é dele e acho que devia estar mais presente", disse.
A Lusa tentou contactar o pai da criança, o que não foi possível.
No dia 26 de Fevereiro de 2007 as assistentes sociais de Cascais levaram o filho de Ana Rita para a instituição Refúgio Aboim Ascensão, em Faro, alegando que a Ana Rita não teria condições para cuidar do filho.
Em Julho de 2007 foi tomada a primeira decisão judicial de que o menino iria ser dado para adopção, na qual a família recorreu com sucesso, mas a 20 de Dezembro de 2008, na última visita de Ana Rita, o menino terá ficado emocionalmente perturbado e as visitas foram canceladas.
Há seis meses que Ana Rita não vê o filho e não tem notícias dele. A 21 de Maio foi informada de que o filho seria dado para adopção.

