Um relatório da Polícia Judiciária indica que Luís Gomes, o homem condenado a seis anos de prisão pelo sequestro da menina que tinha à sua guarda, admitiu em Outubro de 2006 entregar a criança às autoridades.
Num relatório da PJ sobre o caso, a que a Lusa teve acesso, a Directoria de Leiria revelou que a 3 de Outubro de 2006 — dois meses antes do início do julgamento — os inspectores visitaram o sargento Luís Gomes na sua unidade militar e que este disse que a menina "se encontrava na sua posse".
Nessa ocasião, o militar argumentou que a menina vivia "em constante pânico uma vez que percebe que algo de estranho se passa à sua volta" e utilizava expressões como "os maus vêm-me buscar".
No entanto, recusou-se a entregá-la ou a dizer onde ela se encontrava porque estava "a aguardar um recurso", numa referência ao pedido entregue no Tribunal Constitucional para poder discutir a guarda da menina.
Luís Gomes disse que na mesma ocasião que iria "acatar uma decisão que passasse por um período de integração/estadia da menor junto do pai biológico, de uma forma gradual, uma vez que, segundo o mesmo a menor, não conhece o pai, até por se encontrar a residir com o casal Gomes desde os três meses de idade".
O militar justificou o incumprimento das ordens judiciais para entrega da menina porque "é sua convicção e da sua esposa que está em causa o interesse e bem-estar da menor", de acordo com o documento da PJ.
Perante estes factos, o responsável da PJ de Leiria remeteu o relatório para o Ministério Público, pedindo a renovação dos mandados já expirados.
Depois de outras diligências, a PJ de Leiria informou o tribunal que os mandados seriam entregues no dia 20 de Outubro.
Nesse dia, o tribunal convocou um pedopsiquiatra, um psicólogo e assistentes sociais para receberem a menor e estudarem a melhor forma de a entregar ao pai biológico, salvaguardando o seu superior interesse. No entanto, apesar da mobilização destes meios, a menor não foi entregue no tribunal do Torres Novas.
Fonte da PJ disse à Lusa que as autoridades fizeram aquilo que lhes era possível para entregar a menina de acordo com as indicações do tribunal.


