O deputado do Bloco de Esquerda Fernando Rosas considerou hoje que a segurança dos cidadãos pode estar em risco pelo "uso desproporcionado e aparentemente incompetente" das armas de fogo pela GNR.
Um rapaz de 12 anos morreu segunda-feira após ter sido atingido por disparos da GNR durante uma perseguição automóvel a uma carrinha que o transportava, e a mais dois adultos, depois de um assalto.
Para Fernando Rosas, perante a "desproporcionalidade da actuação dos agentes", a instauração de um processo a pedido do Governo para averiguar o incidente "era o que se impunha".
O deputado bloquista considerou o incidente preocupante, frisando que "é a terceira vez no espaço de dois anos que uma perseguição por parte da GNR a veículos em fuga, em casos de pequena criminalidade, resulta em vítimas mortais".
"Esta situação põe em causa a formação e treino específico dos agentes. Se se conjugar isso com o seu carácter militarizado isso significa que a segurança dos cidadãos pode estar em risco pelo uso desproporcionado e aparentemente incompetente das armas de fogo pela GNR", alertou.
Por outro lado, frisou, é igualmente preocupante que "a GNR seja das forças de segurança na Europa que tem menos horas de treino de disparo com arma de fogo".
Rosas defendeu que o ministro da tutela, Rui Pereira, deve pronunciar-se sobre "a situação do treino da GNR", que "conjugado com o carácter militarizado da força, resulta numa relação que pode ser perigosa".
Durante a perseguição foram disparados tiros para imobilizar a carrinha, que transportava dois adultos e o rapaz. Um dos tiros acertou no pneu traseiro direito da viatura, obrigando à imobilização do veículo.
De acordo com o comandante da GNR de Loures, tenente-coronel Cardoso Pereira, foram detidos os dois adultos e, nessa ocasião, "foi possível perceber que um disparo tinha entrado dentro da viatura e atingido um outro ocupante, que era uma criança, que viria a falecer".
A GNR também já anunciou que vai abrir um inquérito interno ao incidente que segunda-feira vitimou a criança.


