Lojas de produtos alimentares querem medicamentos

22.03.2005 - 09:48 Por Joana Ferreira da Costa, PÚBLICO
Os comerciantes de produtos alimentares também querem vender medicamentos não sujeitos a receita médica. E enviaram uma carta ao ministro da Economia e Inovação, Manuel Pinho, a defender que a venda destes produtos não deve ficar limitada às grandes superfícies.
A Associação Nacional de Comerciantes de Produtos Alimentares, que "representa milhares de grossistas e retalhistas do comércio alimentar a nível nacional", faz saber ao ministro da Economia que os seus associados também estão interessados em comercializar medicamentos não sujeitos a receita médica, como analgésicos, produtos para a tosse ou para o estômago.
"Os estabelecimentos de produtos alimentares, sobretudo os de média dimensão, têm todas as condições para poder vender este tipo de medicamentos com segurança", frisou ao PÚBLICO o secretário-geral da associação, Pinto Correia. "Não faz sentido que o senhor primeiro-ministro ponha fim ao monopólio das farmácias para depois ceder ao lobby dos hipermercados."
Na carta enviada na semana passada ao ministro da Economia e Inovação, a associação alerta, por isso, para os riscos de se reduzir esta venda aos hipermercados. Se o diploma incluir apenas as grandes superfícies, "introduzir-se-ão factores de perturbação a uma livre e sã concorrência, bem como aos próprios direitos dos consumidores que, assim, não ficarão nem de perto nem de longe minimamente salvaguardados".
Os comerciantes lembram o que acontece nos EUA e nalguns países europeus onde os medicamentos de venda livre, dos analgésicos aos xaropes, são comercializados "nos supermercados, independentemente da sua dimensão ou formato".
A associação dos comerciantes de produtos alimentares opõe-se a "uma liberalização irresponsável" da venda destes remédios, que deve ficar sujeita a controlo técnico. Mas lembra que essa preocupação deverá "recair fundamentalmente sobre as condições técnicas [da unidade] e não sobre a dimensão do estabelecimento".

