Lisboa: sindicatos e utentes distribuem panfletos contra fecho do Hospital do Desterro

08.02.2006 - 12:04 Por Lusa
A União dos Sindicatos de Lisboa (USL) e o Movimento de Utentes dos Serviços Públicos (MUSP) distribuíram hoje panfletos à porta do Hospital dos Capuchos, em Lisboa, para informarem os utentes sobre a eventual sobrecarga daquela unidade de saúde se se confirmar o anunciado encerramento do Hospital do Desterro.
Entre as 07h30 às 09h30 de hoje, elementos da USL e do MUSP distribuíram panfletos a todas as pessoas que entravam no Hospital dos Capuchos - que faz parte do Centro Hospitalar de Lisboa, juntamente com os hospitais do Desterro e de São José. Nos desdobráveis podia ler-se que "nada justifica" o encerramento do hospital.
Célia Silva, da USL, explicou que esta campanha tem como objectivo esclarecer a população e os utentes sobre as repercussões do fecho do hospital, tendo em conta que o Desterro é um hospital de referência em áreas como a dermatologia e a urologia.
"A área de influência do Hospital do Desterro é muito grande. A população servida vai de Santarém a Faro", lembrou a sindicalista, que defende a construção de um hospital integrado no Serviço Nacional de Saúde. "Nós conhecemos a capacidade física do Hospital de São José e dos Capuchos, em que muitas vezes os doentes se encontram em macas nos corredores por já não terem capacidade para mais camas", sustentou, Célia Silva, salientando que "é impensável reduzir 50 camas no serviço de medicina".
"Este hospital apresenta níveis de actividade muito significativos. O seu encerramento constituiria uma perda irreparável na oferta de cuidados de saúde prestados aos cidadãos", lê-se ainda no panfleto, que tem como título "Assim, não!".
A campanha de esclarecimento da USL e do MUSP teve início na segunda-feira, no Hospital do Desterro, e termina na sexta-feira, na estação do Cais do Sodré. Para Célia Silva, o encerramento do Hospital do Desterro "vai bulir com todos os utentes do Centro Hospitalar de Lisboa, mas também com os trabalhadores". "Se há trabalhadores que poderão ser transferidos para os hospitais dos Capuchos e São José, há outros que nós não sabemos o seu destino. Possivelmente vão aumentar o rol de desempregados que no distrito já ronda os 115 mil", acrescentou.
Ontem, o presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, António Branco, reiterou que o fecho do Hospital do Desterro deverá acontecer no final deste mês ou no início Março. António Branco explicou que o encerramento será faseado, sendo primeiro transferidos todos os serviços, excepto dermatologia e urologia, para os hospitais de São José e dos Capuchos. Os serviços de dermatologia e urologia (de referência a nível nacional) serão posteriormente englobados em outros hospitais.
O responsável sublinhou que o encerramento do Desterro é uma decisão do Ministério da Saúde, já assumida pelo ministro, e que está englobada na reforma dos principais hospitais na área da Grande Lisboa.

