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Investigação durou ano e meio e foram constituídos 67 arguidos

Lisboa: PJ apreende 150 armas e três mil munições em 82 buscas domiciliárias

21.07.2008 - 20:48 Por Lusa

Cerca de 150 armas e réplicas de armas e três mil munições foram apreendidas pela Polícia Judiciária na sequência de uma investigação que durou ano e meio e implicou a realização de 82 buscas domiciliárias. "As buscas domiciliárias tiveram lugar na Grande Lisboa mas também no Alentejo e no Norte de Portugal", declarou aos jornalistas Pedro Felício, coordenador superior de investigação criminal da Polícia Judiciária (PJ), na sede da Direcção Central de Combate ao Banditismo, em Lisboa.
O bairro do Casal de São Brás foi um dos alvos das buscas O bairro do Casal de São Brás foi um dos alvos das buscas (Nuno Ferreira Santos (arquivo))

De acordo com o responsável, entre os muitos bairros alvo de buscas e onde foram encontradas armas contam-se os bairros da Quinta da Fonte e da Icesa, ambos em Loures, Casal de São Brás, Estrela de África e Cova da Moura, todos na Amadora, e Portugal Novo, em Lisboa. Na Quinta da Fonte teve lugar uma operação de grande envergadura no Outono de 2007, revelou Pedro Felício.

A operação, coordenada por um único investigador e que contou com uma brigada de 11 elementos, desmantelou uma organização criminosa que produzia e comercializava armamento ilegal e apreendeu 65 armas e 75 réplicas de armas - incluindo caçadeiras, carabinas, armas automáticas, pistolas, revólveres -, 25 miras telescópicas, silenciadores e cordão detonante e mil munições. Parte do arsenal foi encontrado em duas oficinas onde era possível fabricar e transformar armas e munições, tendo outras sido apreendidas junto dos proprietários, informou o responsável.

Das apreensões fazem ainda parte "muitas dezenas de armas brancas e 66 telemóveis", revelou Pedro Felício. O coordenador superior de investigação criminal da PJ acrescentou que, no âmbito da operação, "foram identificadas 188 pessoas, mais de 500 telemóveis, mais de 40 viaturas automóveis e para cima de 80 contas bancárias e 100 cartões de crédito". Das 188 pessoas identificadas - com idades que vão dos 16, 17 aos quase 70 anos e "muitas já com cadastro" -, 67 foram constituídas arguidas, tendo 22, após serem presentes a juiz de instrução, ficado sujeitas a medidas de coacção várias.

Armas alteradas

"Além das armas originais, muitas das quais sem origem conhecida dado terem o número de série rasurado, muitas armas de alarme e réplicas, nomeadamente de coleccionadores, foram transformadas para dar origem a armas de fogo real", explicou Pedro Felício, acrescentando que os processos de manufactura revelam "uma grande mestria". Estabelecendo uma diferença entre as peças, o responsável indicou que "uma arma original pode durar uma vida, enquanto uma alterada pode ter um limite de 150 disparos e rebentar na mão de quem a utiliza".

As armas, que podem custar entre os 200 e os mil euros, eram vendidas ou alugadas em Portugal ou exportadas para países como a Espanha e a Holanda. "Torna-se mais difícil investigar um crime quando a arma é alugada", explicou o responsável, acrescentando que muitas delas "terão sido utilizadas em crimes violentos, nomeadamente em assaltos à mão armada, incluindo 'carjacking'", que é o roubo de viaturas com violência na presença do condutor. Pedro Felício contou ainda que, das duas oficinas de fabrico, "uma situava-se muito longe de qualquer bairro problemático e outra perto de um desses bairros mas não no seu interior", não tendo adiantado o nome dos bairros em causa.

A operação levada a cabo durante ano e meio permitiu detectar 50 a 60 locais de venda de armas, de Norte a Sul do país e intermediários em vários bairros da capital, sendo que estes elementos "são suficientemente espertos para não serem apanhados na posse das armas", assinalou o coordenador, adiantando que, mesmo assim, a operação "permitiu chegar a muitos deles". O responsável da PJ referiu ainda que o facto de os criminosos funcionarem numa teia que incluía "várias pequenas redes, com uma hierarquia pouco rígida e menos organizada do que é usual", dificultou a investigação.

A posse de arma sem licença pode conduzir a uma pena de prisão máxima de cinco anos, que pode chegar aos dez em caso de tráfico de armas, aos 15 se se comprovar que o proprietário as usou para assaltos ou aos 25 anos de cadeia se quem a possui tiver, com ela, cometido homicídio.

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Comentário + votado

Armas e carjacking

Esta apreenção de armas ilegais é uma boa notícia. Que os tribunais sejam agora rigorosos com os ...

Maria Pereira

22.07.2008 12:18

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