Cerca de 200 pessoas manifestaram-se hoje em Lisboa contra o que designam por "lobby gay", numa iniciativa que decorreu sem incidentes e com críticas aos partidos de direita e à comunicação social.
Organizada pelo Partido Nacional Renovador (PNR), com o apoio do movimento de extrema-direita Frente Nacional, a manifestação foi anunciada como um protesto "contra a adopção de crianças por casais homossexuais, pedofilia e lobby gay".
O protesto reuniu cerca de duas centenas de pessoas no topo do Parque Eduardo VII, segundo fonte da PSP.
Maioritariamente homens jovens, muitos vestidos de preto e de cabeça rapada, mas também algumas mulheres jovens e crianças – e quase todos a recusarem-se a fazer qualquer comentário aos jornalistas – desceram a rua Castilho e a avenida António Augusto de Aguiar até à placa central da rotunda do Marquês de Pombal gritando palavras de ordem como "homossexual, imoral, nunca nunca em Portugal".
Apesar das palavras de ordem e de faixas onde se podiam ler frases "80 por cento dos pedófilos são homossexuais" e "GAY – Não são homens não são nada", José Pinto Coelho, presidente do PNR afirmou aos jornalistas que a iniciativa não foi contra os homossexuais.
"Não somos contra os homossexuais mas contra o homossexualismo ideológico", que se manifesta no "impor comportamentos desviantes à sociedade como se fossem normais", frisou José Pinto Coelho à comunicação social.
Um tema que se repetiu numa breve alocução aos manifestantes antes do início da marcha, no qual o presidente do PNR reiterou que a manifestação não era contra os homossexuais, mas "para demonstrar a crescente presença do `lobby gay´ em Portugal".
Instado pelos jornalistas a especificar o que constituía o "lobby gay", o presidente do PNR pormenorizou tratar-se de um "lobby homossexual organizado com uma agenda política concreta".
Durante o discurso, José Pinto Coelho defendeu que "família só há uma, a natural", aludindo à pretensão dos homossexuais de adoptarem crianças.
O dirigente do PNR afiançou também que "nenhum português aceitaria que o filho aparecesse em casa com o `namoradinho´".
O presidente do PNR teceu ainda críticas à comunicação social, nomeadamente à forma como foi noticiada a organização da manifestação, afirmando que "a opinião publicada é mentirosa" e "está com a extrema-esquerda, que é levada ao colo e dá guarida a `maricas´".
Também os partidos políticos foram alvos de críticas, que incidiram essencialmente sobre "a direitazinha medíocre", que, no entender de José Pinto Coelho, "está a diabolizar quem defende Portugal e os portugueses".
Este tema foi retomado por Humberto Nuno Oliveira, secretário-geral do PNR, que interveio no final da manifestação e afirmou ter recebido "telefonemas de pessoas do CDS e da Nova Democracia dizendo que no fundamental estavam de acordo" com o PNR, mas que não apareciam na manifestação devido ao receio de serem conotados com movimentos de extrema-direita.
Esta foi também a justificação dada por ambos os oradores para a ausência de "muita gente" que – afirmam – pensa como eles e não se deslocou hoje à manifestação.
"Aos que têm medo dos rótulos resta-lhes no futuro carpirem as mágoas por não terem dado a cara", realçou Humberto Nuno Oliveira, que justificou a presença de `cabeças rapadas´ entre os manifestantes com o facto de terem "o seu lugar porque também são portugueses".
O PNR promete que "virá muitas mais vezes à rua nos próximos meses" e que a "rua vai deixar de ser da esquerda".


