O ex-ministro das Obras Públicas Mário Lino negou hoje ter recebido qualquer tipo de pressão de Armando Vara no sentido de demitir a administração da Refer, envolvido na investigação “Face Oculta”.
“Isso é uma coisa perfeitamente disparatada. As pessoas que me conhecem - e eu já ando na política há muitos anos - sabem que eu não sou influenciável, nem influenciado. Ninguém me influenciou, nunca tive nenhuma intervenção nessa matéria”, declarou hoje à Lusa Mário Lino.
Na investigação do processo de investigação "Face oculta" é referido que Armando Vara, ex-governante e vice-presidente do BCP, terá exercido influências junto do ex-ministro Mário Lino para servir os interesses do empresário Manuel Godinho. Godinho é dono do grupo empresarial de Ovar a que está ligado a “O2 - Tratamento e Limpeza Ambientais” e é o único dos 13 arguidos do processo que se encontra detido.
As pressões referem-se à intenção de Manuel Godinho ver alterada a administração da Refer, que mantinha um contencioso com a Refer relativo a um suposto roubo de carris na linha do Tua, em Macedo Cavaleiros. A Refer exigia uma indemnização de 105 mil euros, o que terá levado Manuel Godinho a mover influências para afastar o presidente da Refer, Luís Pardal, junto do ministro das Obras Públicas, e também a ex-secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino. Posteriormente, Manuel Godinho terá manifestado intenção de ver afastada a própria secretária de Estado, já que ela estaria a "proteger" o presidente da Refer, Luís Pardal.
Em declarações à Lusa, Mário Lino considerou que “nunca esteve em causa qualquer demissão nem pressão para demitir ninguém”. “A administração da Refer foi eleita por proposta minha em Novembro de 2005 e foi renomeada por proposta minha em Janeiro deste ano, portanto essa notícia não tem qualquer fundamento”, acrescentou. Mário Lino disse ainda que os processos judiciais em que os pormenores aparecem nos jornais o “repugnam”. “Eu tenho uma visão muito negativa de processos em que os jornais sabem tudo o que vem nos processos. É algo que me faz muita impressão, mas não me meto nem me quero meter. Causa-me uma grande repugnância, porque vejo hipóteses e sugestões e pretensas informações sobre o que vem nos processos”, referiu o ex-ministro.
“O que lhe posso dizer é que o ministro nunca sofreu qualquer pressão nem para fazer negócios fora das regras contratuais nem para demitir ninguém. A administração da Refer sempre me mereceu toda a consideração, é uma excelente administração”, disse igualmente. O ministro das Obras Públicas cessante refere que estas notícias são pura especulação.
O PÚBLICO tem tentado obter uma reacção da ex-secretária de Estado dos Transportes, mas até ao momento não teve sucesso.


