A ligação ferroviária em altas prestações entre as cidades do Porto e de Vigo vai avançar, e poderá, até, ter o seu início antecipado.
Os detalhes deverão ser apresentados no próximo dia 28, altura em que o Governo se propõe apresentar as orientações estratégicas para o sector ferroviário, mas ontem a secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, já admitiu que a ligação poderá ser antecipada - o que poderá permitir que, em 2015, a ligação Lisboa-Porto possa ser estendida até Espanha.
A posição de Ana Paula Vitorino sustenta-se nas conclusões intermédias que vão sendo conhecidas nas várias frentes de estudos de que está a ser alvo o projecto. Em termos mais técnicos, isto é, ao nível da procura, da oferta e dos traçados, esses estudos estão a ser desenvolvidos pela Rave; paralelamente, um grupo de trabalho coordenado pela Comissão de Coordenação de Desenvolvimento Regional do Norte e pela Xunta da Galicia está a avaliar a perspectiva do desenvolvimento regional e da avaliação dos custos de oportunidade da execução de uma linha de altas prestações ferroviárias. "Os estudos ainda não estão concluídos, mas estamos a chegar a conclusões muito importantes e que podem levar à antecipação da concretização do Porto-Vigo", afirmou ontem Ana Paula Vitorino, em Braga, à margem da inauguração de umas oficinas da Transdev.
A secretária de Estado não se quis comprometer com datas, nem com detalhes do projecto, limitando-se a confirmar que a linha será mista, isto é, deverá servir passageiros e mercadorias. A possibilidade de serem utilizados alguns troços de via já modernizada (como é o caso da Linha do Minho até Braga) ao invés de construir uma linha integral de raiz também foi equacionada e poderá, com isso, acelerar a conclusão do projecto.
Com esta possibilidade, voltam, assim, a ser viáveis os prazos que tinham sido inicialmente acordados entre os governos de Portugal e de Espanha, e que apontavam 2015 como prazo para a conclusão desta ligação.
Em Dezembro de 2005, quando o Governo apresentou a calendarização da alta velocidade e foram priorizadas as ligações de Lisboa a Madrid e ao Porto, nada se garantiu sobre a ligação a Vigo. Ana Paula Vitorino diz que tal deveu-se ao facto de existir exclusivamente um estudo, o de procura, mas para comboios de alta velocidade pura - que circulam a 300 e 350 quilómetros por hora. "Foi neste estudo de procura que assentou o estudo de viabilidade do projecto, como então estava pensado. E que apontava para a sua não viabilidade económica, uma vez que uma linha de alta velocidade pura, pelas suas características, obriga a investimentos muito elevados", explica a secretária de Estado. "Com esta informação, e com os estudos que existiam e as conclusões para que apontavam, nunca se poderia considerar em pé de igualdade o Porto-Vigo, com o Porto-Lisboa", lembra.
Os estudos que agora estão a ser desenvolvidos assentam em velocidades de circulação mais baixas (entre os 220 e os 250 quilómetros/hora), e acrescentam a possibilidade de circularem mercadorias. "Desta maneira, já é possível concluir pela viabilidade económica e financeira do projecto. Não é só económica, é também financeira", insistiu a secretária de Estado, que considera "importante ter um estudo de desenvolvimento regional associado".
A entrada de capitais privados nas empresas de transporte público de passageiros não está a ser equacionada pelo Governo, apesar de empresas como a Transdev já terem mostrado interesse - e ontem reiterado, como disse aos jornalistas Philippe Segretain, presidente do grupo Transdev. "Como temos vindo a referir, a nossa aposta é nas Parcerias Público-Privadas (PPP)", insistiu Ana Paula Vitorino, argumentando o sucesso de uma experiência em Arganil. O Governo pretende incentivar todas as PPP que permitam "direccionar a capacidade de inovação e gestão" do sector privado para o público e onde haja uma adequada partilha de gestão de riscos.


