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Inquérito ao caso do menino que se lançou no Tua não está concluído

Leandro foi ou não vítima de bullying?

09.03.2010 - 08:03 Por Ana Fragoso, Graça Barbosa Ribeiro

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As buscas para encontrar o corpo de Leandro prosseguem hoje As buscas para encontrar o corpo de Leandro prosseguem hoje (Joana Oliveira)
A população de Mirandela participou ontem numa marcha de solidariedade para com o menino de 12 anos que há uma semana desapareceu nas águas do rio Tua, depois de alegadamente ter sido agredido no recinto da escola. Mas, apesar da emoção e do debate sobre violência escolar que o caso desencadeou, ainda não está absolutamente esclarecido se a criança era realmente vítima de bullying (violência física ou verbal continuada) e se terá cometido suicídio.

Os testemunhos recolhidos pela PSP, avançou ontem a agência Lusa, apontam para uma personalidade e circunstâncias diferentes daquelas que têm sido descritas por familiares e amigos. Provavelmente, ainda não será hoje conhecido o resultado do inquérito-crime aberto pela PSP por indicação do Ministério Público, que acompanha o processo. E Isabel Alçada também não adiantou quando vão ser tornadas públicas as conclusões do processo de averiguações lançado pelo Ministério da Educação, dizendo apenas que tal acontecerá "muito em breve".

Em declarações aos jornalistas, ontem, a ministra referiu-se ao fenómeno do bullying classificando-o como "inadmissível". Mas escusou-se a tecer considerações muito particulares sobre o caso de Mirandela, apesar de sublinhar que o "desaparecimento de uma criança é sempre uma coisa terrível". "Os inquéritos ainda estão a decorrer e nós vamos aguardar pela conclusão, pelo apuramento rigoroso dos factos, para prestar alguns esclarecimentos sobre o que verdadeiramente se passou", disse.

O que aconteceu, de facto, não é claro. Familiares e colegas de Leandro, ao longo da última semana, disseram que o rapaz de 12 anos era vítima frequente de violência por parte de estudantes mais velhos da mesma escola e também que seria mais tímido, assustado e inseguro que o irmão gémeo. No entanto, a agência Lusa, que cita fonte ligada ao processo, refere que as testemunhas ouvidas pelas autoridades caracterizam Leandro como "uma criança reguila" que era "interveniente em muitas zaragatas, muitas vezes provocadas pelo próprio" e que, "nas situações de agressões, resistia e não demonstrava medo". Terão acrescentado ainda que tinha "alguns problemas de indisciplina" e que às vezes faltava às aulas. Também a mãe, em declarações à Lusa, descreveu Leandro como um "menino alegre".

Sobre o que se verificou naquele dia, as versões das testemunhas coincidem com o que tem sido divulgado, aponta a fonte citada pela Lusa. Leandro terá sido agredido por um aluno mais velho, de "17/18 anos", que frequenta as turmas de Educação e Formação na mesma escola. E alguns colegas dizem que, enquanto jogavam à bola, o viram a chorar e a sair do recinto da escola, dizendo que "ia atirar-se ao rio". No entanto, realça a mesma pessoa ouvida pela agência noticiosa, os amigos pensam que, de facto, ele não se queria afogar. "Ele nunca disse que se queria matar", realçam.

O PÚBLICO não conseguiu confirmar qualquer destas informações junto do comandante da PSP de Bragança, que apenas adiantou que estão a ser interrogados colegas, professores, funcionários da Escola Luciano Cordeiro e familiares de Leandro.

Só crianças terão visto Leandro entrar na água. Antes, este despiu-se e colocou a roupa e as sapatilhas sobre a mesa de um parque de merendas, caminhando até à margem, onde finalmente deixou o blusão e entrou no rio. Várias pessoas ouvidas pelo PÚBLICO admitiram a possibilidade de uma criança de 12 anos não ter noção da força da corrente nesta altura do ano.

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Depois desta..

Depois desta notícia, o que se vai questionar a seguir? Se ele morreu ou não??

marta.santos

09.03.2010 11:39

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