Laboratório de Nanotecnologia vai privilegiar área da saúde

17.07.2009 - 08:52 Por Andrea Cunha Freitas
Hoje, apenas será possível ver as paredes do futuro centro de excelência ibérico de nanotecnologia em Portugal. As pessoas, o equipamento e a mobília só vão encher esta casa da tecnologia de coisas minúsculas a partir do final deste ano. Apesar de ser anunciada como a inauguração do Laboratório Ibérico de Nanotecnologia (INL), trata-se de uma apresentação oficial deste instituto com a presença dos mais altos representantes dos dois países fundadores.
Mas mais do que uma exigente obra de engenharia, será possível mostrar que o trabalho já começou. Cavaco Silva e o rei Juan Carlos, chefes de Estado dos dois países, e os respectivos primeiros-ministros, José Sócrates e José Luiz Zapatero, estarão lá hoje para ver.
"A cerimónia serve para assinalar o fim da construção externa do edifício", confirma Paulo Freitas, director-geral adjunto do Laboratório Ibérico de Nanotecnologia e investigador do INESC - Microssistemas e Nanotecnologias. Para já há as paredes. Há também 24 milhões de euros para gastar em equipamento e cerca de meio milhão de euros para cada grupo de investigação, e a perspectiva do INL é ter 200 cientistas a trabalhar. Em quê? O laboratório terá duas áreas de investigação mais aplicada. "Uma ligada à nanomedicina (que liga as ciências exactas à engenharia e à medicina) e outra ao controlo de qualidade alimentar e ambiental (que inclui uma componente de segurança mais ligada à detecção de explosivos e drogas). Depois terá áreas mais fundamentais, ligadas à nanoelectrónica (onde se fabricam as plataformas e instrumentos usados nas duas áreas aplicadas) e aos nanossistemas e onde se trabalha a nível molecular ou atómico.
Vamos a exemplos. A nanotecnologia pode ajudar a detectar e a tratar. O INL pode desenvolver equipamentos portáteis, que se podem ter em casa e que, detectando proteínas e enzimas que são libertadas no corpo, interpretam os sinais e alertam para um possível ataque cardíaco, por exemplo. "Há ainda muita pesquisa à volta de sistemas, moléculas e partículas que entram para o nosso corpo, que se podem atracar a algum tipo de células cancerígenas e vão aquecer estas células e matá-las. O problema é que, se atracarem noutro lado, vão matar células boas", anuncia Paulo Freitas.
Por fim há a área ligada aos fármacos. "Um dos exemplos é os sistemas inteligentes de drug delivery. A parte da distribuição localizada de fármacos, que depende da evolução do paciente. É uma área muito promissora", assegura Paulo Freitas, antecipando que os primeiros resultados do INL serão na saúde. "De acordo com as pessoas que nos têm contactado, deverá ser possível ter um grupo coerente a breve trecho neste campo."
Na área da qualidade ambiental também há exemplos. Lembram-se do Antrax? "Por vezes é necessário fazer detecção de quantidades pequenas de vários tipos de moléculas", explica o director-geral adjunto, notando que "há uma série de plataformas que fazem reconhecimento molecular e detectam se uma determinada molécula está presente ou não. Isso é tipo uma luz vermelha". São rastreios rápidos que têm uma parte bioquímica, num sistema pequenino, portátil, e que permitem resultados em horas ou minutos onde a espera é, tradicionalmente, de dias.
O laboratório foi planeado para ter 30 a 40 grupos de investigação e até ao final deste ano deverão ser contratados pelo menos cinco grupos. "Não temos grande pressa. O que queremos é pessoas boas", defende Paulo Freitas, que faz questão de lembrar: "Este instituto tem um estatuto de organização internacional. A única coisa ibérica que tem é o nome. Chama-se ibérico porque foi começado pelos dois governos. Não há nada que impeça outros países de se juntarem. A ideia é, aliás, mesmo essa."

