Justiça espanhola pede oito anos para camionista português apanhado com clandestinos

05.05.2008 - 16:18 Por Lusa
A justiça espanhola pediu oito anos de prisão para Domingos Magalhães, o camionista português que no passado mês de Fevereiro foi detido com dois imigrantes ilegais no interior do camião, disse hoje o advogado do réu. Oito anos de prisão efectiva, seguida de expulsão do país, é a pena que a justiça espanhola pede para Domingos Magalhães, o motorista detido em Algeciras, com dois cidadãos clandestinos no interior do camião, precisou Alberto Colomer Verdugo, o advogado espanhol contratado pela família do camionista.
Domingos Magalhães foi detido, no dia 21 de Fevereiro de 2008, quando regressava a Guimarães depois de ter carregado o camião em Marrocos com "material para reciclar".
Depois de dois meses preso, a 28 de Abril o camionista ficou a saber que era acusado do crime de "tráfico de pessoas", passível de uma pena de oito anos de prisão.
"Ninguém quer saber do caso", disse Maria Marques da Cunha, esposa de Domingos Magalhães e mãe de quatro filhos com 20, 15 e 11 anos e de um bebé de 10 meses. Desde que o marido está detido, Maria Cunha já escreveu cartas ao Presidente da República, ao ministro dos Negócios Estrangeiros e a vários deputados a pedir ajuda.
"As respostas que tive foi a dizerem-me que não podem fazer nada", referiu.
Hoje um grupo de amigos do motorista iniciou um abaixo-assinado a pedir a libertação de Domingos Magalhães. Na Feira das Taipas, em Guimarães, esta manhã foram já recolhidas dezenas de assinaturas que serão entregues, de acordo com Maria Cunha, na "Assembleia da República e onde for preciso".
Família com dificuldade em suportar despesas
"Nunca ninguém me perguntou se tenho dinheiro para ir a Espanha visitar o meu marido, se os meus filhos estão bem ou se precisamos de ajuda psicológica", frisou Maria Cunha.
Entre as despesas, a família do motorista está a suportar as de aconselhamento jurídico em Portugal e os honorários a Alberto Colomer Verdugo.
Há quatro meses a trabalhar numa empresa de camionagem de Rio Tinto, Domingos Magalhães foi, pela primeira vez, a Marrocos no final do passado mês de Fevereiro.
"A empresa pagava mais 500 euros a quem fizesse viagens a Marrocos e o meu marido aceitou", disse a esposa.
Nas cartas enviadas a sua mulher e nos depoimentos efectuados junto da Guarda Civil espanhola, o camionista garante que a polícia marroquina "selou o camião e escoltou-o até à fronteira espanhola". "Pouco depois da fronteira, a polícia de Espanha mandou parar o camião, abriu as portas e descobriu dois homens no meio do material que vinha para Portugal para reciclar", disse Maria Cunha.
Crente na inocência do marido, a esposa apoia-se nas conversas que tem com Domingos e nas cartas que ele lhe escreve. Esta segunda-feira, chegou mais uma. "Não aguento esta pressão. Estou a ficar doido. Tira-me daqui que eu estou inocente", pode ler-se na missiva chegada de Espanha.

