Doze juízes vão aprender, a partir de hoje, os procedimentos técnicos e os efeitos dos actos praticados com armas de fogo, numa acção de formação planeada pela Polícia Judiciária (PJ) sob proposta do Conselho Superior da Magistratura.
As três acções de formação, previstas para Abril, Junho e Outubro, cada uma com 12 juízes, pretendem ajudá-los a compreender a mecânica das armas de fogo, os procedimentos técnicos, a balística e os efeitos dos disparos, aumentando os seus conhecimentos para os julgamentos que envolvam crimes com armas de fogo.
Para o inspector-chefe da PJ, António Dias, os conhecimentos sobre armas "são importantes em todas as fases processuais, tanto para quem investiga como para quem julga". "Os magistrados devem conhecer a matéria com que lidam nos tribunais e esta formação aumenta a sua competência técnica para avaliar e decidir nos processos", disse à agência Lusa.
As três acções de formação, de uma semana cada, destinam-se a juízes de tribunais de primeira instância e superiores de várias comarcas do país. O curso terá simulações de situações práticas em que os juízes vão usar armas e serão testados em acontecimentos de conflitos e assaltos.
"O nosso objectivo é adquirir conhecimentos"
O secretário-geral da Associação Sindical dos Juízes Portugueses, Ramos Soares, é um dos juízes inscritos. "O nosso objectivo é adquirir conhecimentos para que, quando estivermos a julgar casos com armas, estejamos mais habilitados a decidir, porque temos mais conhecimentos técnicos para o fazer", explicou à Lusa.
Considerando que os magistrados devem procurar actualizar permanentemente os seus conhecimentos, Ramos Soares sugere a realização de acções semelhantes nos domínios dos estupefacientes e do jogo ilegal.
Segundo o Relatório de Segurança Interna de 2009, a criminalidade violenta sofreu um decréscimo de 0,6 por cento relativamente a 2008. Ao todo, no ano passado, foram participados 24163 crimes às forças de segurança.


