Judiciária expande-se para instalações da Escola de Medicina Veterinária

21.04.2006 - 10:50 Por José Bento Amaro, PÚBLICO
As instalações da Escola de Medicina Veterinária, na Rua Gomes Freire, em Lisboa, vão ser anexadas ao edifício da Directoria Nacional da Polícia Judiciária (PJ), na mesma rua. O projecto, que será apresentado pelo Ministério da Justiça até ao final de Junho, visa concentrar todos os serviços da PJ lisboeta numa só área.
Os entraves que há mais de 15 anos têm obstado à compra do edifício já terão sido ultrapassados, após negociações entre a tutela e os anteriores herdeiros do terreno, que antes se destinava apenas ao ensino.
Até ontem, a actual direcção da PJ ainda não tinha qualquer indicação da tutela em relação às futuras instalações da corporação, motivo pelo qual não foi tecido qualquer comentário em relação à anexação dos terrenos da Escola de Medicina Veterinária. Também no Ministério da Justiça ninguém admitiu oficialmente o entendimento relativo à transacção, embora fontes contactadas pelo PÚBLICO tenham reconhecido que, até final de Junho, seja apresentado o projecto definitivo.
Gorada que foi a construção da futura sede da PJ em Caxias, nos terrenos fronteiros ao Hospital Prisional São João de Deus, e ultrapassada que está a questão da indemnização a pagar à empresa então escolhida (a Teixeira Duarte), com o Ministério da Justiça a assumir o pagamento das quantias estipuladas quando da assinatura do protocolo, o edifício e terrenos da Medicina Veterinária, que obrigatoriamente terão que sofrer obras, serão de novo entregues à mesma construtora.
Os custos destes trabalhos são, no entanto, muito inferiores ao projecto inicialmente aprovado para Caxias, rondando os 32 milhões de euros, como ontem adiantava o "Diário de Notícias".
Venda de imóveis para financiar obras
O financiamento das obras, numa altura em que a PJ se debate com falta de verbas e o próprio Ministério da Justiça já solicitou às Finanças um reforço que ultrapassa os dez milhões de euros, far-se-á, maioritariamente, com dinheiro proveniente da venda de alguns edifícios dispersos por Lisboa.
Assim, serão vendidos os imóveis onde estão instaladas a Direcção Central de Investigação ao Tráfico de Estupefacientes (DCITE), na Avenida Duque de Loulé, a Direcção Central de Combate ao Terrorismo (DCCB), na Avenida José Malhoa, e a Direcção Central de Investigação à Corrupção e Crimes Económico-Financeiros (DCICCEF), na Rua Alexandre Herculano.
Está ainda projectado o abandono de dois outros imóveis, actualmente alugados pela Polícia Judiciária, onde funcionam a Unidade de Informação Financeira (que já teve de enfrentar uma ordem de despejo) e os serviços da Interpol e Europol, pelos quais são pagas mensalmente rendas que rondam os 50 mil euros.
A opção pela Escola de Medicina Veterinária terá sido tomada depois de ter falhado o projecto para Caxias e também após terem sido goradas outras opções, nomeadamente as instalações do Regimento de Artilharia de Lisboa (RAL 1), em Sacavém; dos terrenos que serviram de depósito de material militar, nas imediações de Moscavide (ambas pertencentes ao Ministério da Defesa); e de terrenos em Chelas, onde qualquer edificação teria de ser feita de raiz e, portanto, seria mais dispendiosa.

